terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sobre Raul Seixas

Esse nome lembra não só música, como filosofia, artisticidade e revolução. Um grande ícone da contracultura no Brasil. Foi acima de tudo um grande brasileiro, que usando da antropofagia (Oswald de Andrade), mesclou o rock com rítmos brasileiros como o baião criando estilos musicais diferentes, e representou bem nosso país no exterior, assim como possuiu/possui um grande carisma pela população brasileira.

Além de ser filósofo por formação, e ter escrito algumas letras musicais, ele criou todo um misticismo, uma idéia de sociedade alternativa, uma crítica original aos stablishment brasileiro, quase uma "religião raul-seixista". Houve muitos seguidores, que realmente dariam a vida pelo seu mestre roqueiro, mas Raul amenizou a situação dizendo não ser este seu objetivo. Não queria ser exemplo pra ninguém, pelo menos a princípio.

O que trouxeram características marcantes na carrerira do baiano foram as parcerias que ele fez tanto com Paulo Coelho, como com Cláudio Roberto Andrade de Azevedo, grandes sucessos foram lançados gerando o auge do artista. Auge que foi barrado pelo excesso de drogas, infelizmente.

Toda essa leitura sobre a vida do "maluco beleza", nos leva a refletir sobre alguns pontos entre outros: realmente ninguém é feliz tendo amado uma vez? Devemos persistir na idéia da sociedade alternativa? Fama traz felicidade? As respostas não serão unânimes, dependem de cada um, mas o exemplo esta aí para ser observado.

Raul foi uma eterna criança, uma pessoa livre, livre pra amar, para brincar, para questionar, para acreditar naquilo em que sentisse seu coração bater mais forte. Ele vibrava com as letras que cantava e os sons que tocava. Ele acreditava tanto, que passava isso pra todas as pessoas que ouviam, gerando no mínimo uma reflexão por parte delas sobre o tema.

Tanta intensidade de viver, que sua vida encurtou. Se valeu á pena, só ele poderia ter dito com autoridade, porém do nosso ponto de vista ele foi um arraso, um marco histórico na cultura brasileira. Nada é perfeito. O que importa é que foi do jeito que foi.

Obrigado.

Dom

O mundo dos sonhos e a vida real

Pode acontecer de ás vezes quando acordamos, não sentirmos vontade de acordar de fato. Insistimos em dormir mais. Parece que o mundo dos sonhos fica mais atraente que o mundo real. Parece mais difícil respirar, sentimos mais frio, mais preguiça, a força de vontade outrora mais tão forte dentro do sonho, parece diminuir em menos de um terço.


Nos sonhos nós podemos tudo: voar, ter super-poderes, lutar excepcionalmente bem, enfrentar os mais diversos perigos. Na vida real já muda um pouco a coisa, há altos e baixos, coisas que não esperamos por mais que nos preparemos, reações que fogem da nossa força de vontade.

Não que não existam pesadelos, mas de certa forma, parece que já esperávamos por eles. Sentimento confuso. E acompanhado deles parece que vem um bom sonho pra aliviar as tensões.

Durante o sono geralmente relaxamos, precisamos relaxar, parar de pensar para entrar nessa "outra dimensão", enquanto que durante o dia, na tão importante vida real, devemos estar "sempre alertas". É uma vida tensa, cheia de responsabilidades, onde cobramos e somos cobrados. Pra quê tanto conflito?

Há uma cultura tribal, segundo o antropólogo James George Frazer, em que não se faz distinção entre sonho e realidade. É como se durante a noite a alma fosse levada para outra dimensão, onde ocorreriam outros atos, que de fato aconteceriam. Nos primeiros contatos com os ocidentais, houve uma má interpretação dos ditos selvagens. Pensava-se que eles mentiam muito, quando apenas narravam os acontecimentos que ocorriam durante o sono.

Tanto a vida como o sonho podem ser bons. A questão é: do que eles dependem para sê-los?

Desejo mais disposição para você.

Obrigado

Dom

sábado, 30 de julho de 2011

Desencanto pelo ser humano

O ser humano pode ser fantástico quando quer. Pode ser bom, agradável, confiável, honesto, amigo. Mas geralmente não quer, não se esforça para sê-lo. O egoísmo fala mais alto, a vontade de ser superior domina esse ser fraco e covarde.

No auge do capitalismo em que vivemos, a selva de pedra se torna palco de um drama cheio de mentiras e desconfianças, onde as pessoas atuam e engolem toda essa superficialidade à seco, fingindo não se importar ou nem pensar sobre o real sentido da vida, sobre os valores perdidos em meio a essa competição sem sentido, onde os amigos que pensávamos ter nos passam rasteiras por pouca coisa.

Tanta valorização da profissão, dos cargos almejados, dos títulos concedidos, do status que não passa de fantasia, de um "cartão de visitas" elaborado pelo marketing pessoal isento de ética, imundo e sem escrúpulo. Enquanto que as crianças são deixadas com a babá, a vivência com a parceira ou parceiro é resumida aos finais de semana e presentes comprados, os amigos são encarados como objetos, ferramentas para se alcançar objetivos vazios.

Precisamos de uma revolução dos valores! Uma luta com sentido, por uma vida mais plena, recheda de sentimentos expressos sem medo, sem desconfiança. Devemos buscar a transparência, a justiça, o amor, a preocupação verdadeira pelos nossos queridos. Pequenas coisas fazem a diferença: ouvir um desabafo e dar opiniões sinceras, respeitar o sentimento e os valores alheios, respeitar a família, o casamento, os compromissos. A palavra do homem perdeu valor com o passar do tempo, e não faz muito tempo que as coisas eram diferentes. Tanta burocracia foi inventada para poder "amarrar" os compromissos que as pessoas de hoje fazem, e mesmo assim são desrespeitadas a todo momento.

Como é bom termos uma pessoa em quem confiar, viver uma vida leve sem desconfianças, sem a amargura da traição. O sorriso é mais alegre, o cantar é mais profundo, o olhar é mais brilhoso, o abraço mais caloroso. Dormir sem perturbação, descansar com a mente tranquila, a consciência leve é algo que não tem preço. Tantas doenças mentais existem e algumas passando a existir, cânceres, vitiligo, derrames e tantas outras doenças com causas emocionais que poderiam ser evitadas se não fossem as dores causadas pelo desencanto pelos seres humanos.

É necessário refletir sobre nossos valores. Que adianta ser rico e não ter amigos de verdade, pessoas que realmente se importam com você? Ou você prefere comprar as pessos que te cercam, iludindo a sí mesmo sobre os sentimentos que você tem e que espera dos outros? Viver assim é muito vazio, muito frio. Não é a toa que tantos ricos sofrem de depressão, abusam das drogas, cometem suicídio.

O ser humano pode ser muito mais que isso, ele tem potencial. Podemos abrir mão de algumas coisas para alcançar uma evolução em nossa vida, uma vida mais completa. Existem algumas poucas pessoas que querem compartilhar dessa vida com você. Pessoas especiais. E quanto à multidão de pessoas vazias e sem valores que existem por aí, que se juntem todas e se ferroem. Quem sabe com isso elas percebam o erro em que se meteram.

Obrigado.

Dom

domingo, 29 de maio de 2011

A valorização do professor no Brasil

É terrível imaginar um povo sem identidade, sem cultura, educação, que não sabe valorizar e preservar a natureza, que não sabe se comunicar. Os mestres tem um papel fundamental nesse processo, e a desvalorização desse profissional só faz piorar ainda mais a sociedade.
O Brasil não tem valorizado aqueles que foram a chave mestra na melhora no desenvolvimento do país nos últimos anos. Pessoas que passam horas pesquisando, fazendo cursos, se especializando, administrando turmas de alunos, que como todos sabemos, nem sempre são compostas só por pessoas boas. Hoje a profissão do magistério se tornou uma profissão de risco.
É importantíssimo termos mestres bem instruídos, bem pagos, trabalhando dentro do limite de horas aceitável ao bem estar da saúde física-psicológica. Eles estarão bem e passarão isso aos alunos, essa energia boa.
Qual incentivo para estudar num país onde quem mais estuda ganha menos de quem se dedica à arte de surrupiar os outros? É vergonhoso quando vemos que os políticos mais votados do país são analfabetos ou semi-analfabetos. O reflexo dessa tendência podemos bem sentir em nosso dia-a-dia: o muito descaso com o social, com a coletividade.
Devemos defender um piso salarial para os professores que seja digno, que com ele o professor possa sustentar sua familia e ter o minimo de conforto. Privilégios devem ser concedidos à essa classe tão importante.
Acredito que muitos professores possuem desejos utópicos, sociais em sua maioria. Porque se fosse pelo prestígio e salário, teríamos escassez de professores.
Valorizemos e respeitemos esse profissional que sonha com um mundo e principalmente um Brasil melhor.

Obrigado.

Dom

terça-feira, 22 de março de 2011

Sobre o desapego

A maioria das pessoas vive numa correria sem fim atrás de dinheiro. Dinheiro pra manter sua vida urbana. Vivem na cidade pra ganhar dinheiro. E assim fecha-se o ciclo da "loucura desse mundo".


Os prazeres urbanos vêm acompanhados de muitos desprazeres e ciladas psicológicas. Na cidade somos sempre muito dependentes uns dos outros e principalmente dos capitalistas donos dos meios de produção e do governo arbitrário. Isso confunde a mente das pessoas, faz elas ocuparem a mente com preocupações tolas.

Quando presenciamos ou meditamos sobre os desastres (ou transformações, depende do ponto de vista) da natureza, percebemos que esse apego ao materialismo, ao urbanismo, ao trabalho, à cidade natal, e até mesmo à família é bobagem, é muito pequeno perto da realidade da vida.

O desapego à essas coisas é algo muito bom, porque você não tem com o que se preocupar. Você é livre pra ir e vir, dizer o que quiser, morar e viver onde e do jeito que quiser. Isso não quer dizer que você não deva correr atrás de seu sustento honestamente, todavia isso não deve ser realizado de forma pesada, em que você se negue, e que haja apego demais, fazendo-o pensar que a vida é somente essa correria maluca, esquecendo da verdadeira essência da felicidade. Tanto sofrimento quando "perde-se" algo!

As coisas vêm e vão, elas passam por nossa vida, não somos donos de nada nem de ninguém.

Aposte no desapego, sinta mais a vida, se comunique com os animais, com as plantas, ouça o que eles querem lhe dizer, lhe mostrar. Exercite seus instintos, seus sentidos. Aproveite ao máximo boas companias, bons momentos. Aprecie a simplicidade e reprove a ganância, a cobiça, a inveja. Seja feliz consigo mesmo, não dependa de nada nem de ninguém para isso.

Nós temos uma capacidade enorme de dirigir as coisas em nossa vida, de direcionar energias. Não leve tão a sério a lógica, os prognósticos, as avaliações. Nós temos a nossa verdade, e ela é a mais importante. Sinta ela, aposte nela.

Nascemos pelados e morremos sem carregar nada.

Pense nisso.

Obrigado.

Dom

Saúde x Dinheiro

Quando se trata de saúde, todos dizem se tratar de uma prioridade na vida. Afinal, estamos presos à esse corpo feito de carne e osso, e precisamos que ele nos carregue pra onde quer que nossos sonhos estejam. Que adianta termos todo o dinheiro do mundo se não temos saúde para desfrutar?


Ja sabemos que o Estado tem tratado com descaso a saúde pública, e que nossos hospitais estão sucateados e nojentos. Entretanto, existem muitos profissionais da saúde bons aqui no Brasil. Profissionais estes que muitas vezes cursaram suas faculdades pensando em ganhar dinheiro, não em salvar vidas e ajudar pessoas.

Se o Sistema Único de Saúde (SUS) não consegue prover o básico no quesito saúde, foram criados planos de saúde privados como "substitutos" para isso. Mesmo assim, muitos médicos não se satisfazem com o pagamento que os planos privados lhes dão por seus serviços e de uma forma ou outra, querem lhe surrupiar "uns trocados" a mais de seus pacientes.

A saúde é vista como mercadoria por esses "profissionais". Isso é intolerável, é obsceno! Não que esses trabalhadores não mereçam salários justos, uma vida digna, mas que justiça seja feita. Precisamos fiscalizar e punir pessoas que abusam de suas funções para manipular e pressionar pessoas em situações de sensibilidade.

Esses covardes da área da saúde devem repensar suas atitudes, meditar mais sobre o que é a ética, bom-senso, justiça e amor.

Lembre-se: tudo o que vai, volta.

Obrigado.

Dom

domingo, 13 de março de 2011

Sobre a falsidade em Campo Grande

Nos últimos anos podemos sentir uma sensação muito forte de falsidade que tem imperado sobre as pessoas na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. É como uma pressão da própria sociedade para que as pessoas se comportem de forma semelhante, e até se vistam de forma parecida. Algo que se torna ridículo para quem vê de fora.


Sabemos que uma cidade como Campo Grande não é composta somente de nativos dessa região, que muitos vêm tentar a vida por aqui, pensando muitas vezes em ganhar dinheiro ou constituir família, por ser uma cidade do interior do Brasil e de certo modo pacata.

As pessoas que vêm pra cá para ganhar dinheiro, deixam sua cidade natal ou onde quer que estivessem vivendo, para agir de forma mediana, sem muito esforço, e mesmo assim ter vantagem sobre os nativos, que são em sua maioria preguiçosos, irresponsáveis e relaxados com seu trabalho.

É certo que os habitantes são diferentes, tanto em essência, como fisicamente. Portanto seria comum encontrarmos pessoas vestindo, usando, ouvindo coisas diferentes, se comportando diferentemente e frequentando lugares diferentes. Mas não é bem assim.

Essa pressão social é imposta geralmente pelos donos de meios de produção, em outras palavras, pela alta classe. São eles que dão emprego, que espalham fofocas que comprometem de fato a vida das pessoas. Existe um modelo de comportamento pré-estabelecido que "exterioriza uma pessoa de boa índole". Algo que os sábios logo percebem ser um absurdo.

Porém existe um espírito de cooperação por parte da população, mesmo alguns sendo conscientes dessa palhaçada. É bem possível que isso ou seja fruto da ignorância ou medo da rejeição pela sociedade local.

Enfim, você pode fazer coisas de louco, abusar das drogas, ser uma depravada, até mesmo ser um criminoso, mas se você pôr sua "máscara de modelo campo-grandense" para desfilar em público, estará tudo bem e vc será abraçado "carinhosamente" pela fraternidade da falsa alta sociedade. Um abraço que nunca saberemos ser verdadeiro ou não.

Obrigado.

Dom