domingo, 30 de agosto de 2015

Chorando pelado

Andinho era um rapaz direito, cumpria com seus deveres de cidadão, de homem, não gostava de falcatrua. Andinho era homem fiel, honesto, gostava do que era certo e nem passava pela sua cabeça mentir para sua mulher. Ele trabalhou por muito tempo como comerciante na cidade, trabalhava de dia e de noite pra alcançar sua meta. Porém ele sabia que esse ritmo de trbalho, de correria, não lhe fazia bem. Não faz bem pra nenhum ser humano trabalhar mais que seis horas, muito mais pra ele que trabalhava dez horas por dia!
Camila, sua namorada, era uma moça determinada, tinha vinte e cinco anos e já possuía seu consultório de psicologia e já buscava algo melhor, com mais espaço, mais glamour para seus pacientes. Gostava de roupas de mulher mais velha, de meia idade, pois aquelas se ajustavam à sua idade, dizia. Andinho preferia que ela usasse roupas de mulher de vinte e poucos.
O casal se conhecia havia muitos anos, foram amigos de infância, e depois de anos surgiu um interesse sexual, o que os levou ao namoro. Eles se conheciam muito bem. Os pais dos dois adoraram e torciam para que o casal desse certo, com a benção de Deus. Camila, apesar de ser muito parceira, começou a plantar ideias na cabeça de Andinho, ela dizia que ele deveria ser mais centrado, mais ambicioso, subir os degrais do sucesso e das classes. Andinho começou a se encomodar com essa história, sentia de alguma forma uma ansiedade, uma pressão, que vinha mas ele não sabia como. Afinal, ele era muito bem decidido com suas ideologias. Era um rapaz trabalhador sim, e até tinha algumas ambições, porém acreditava num futuro possível onde haveria menos desigualdade, mais liberdade e mais amor. Não era certo passar por cima de ninguém pra obter vantagem financeira, isso é pros que ignoram a coletividade.
Certo dia, Andinho chegou do trabalho, tomou um belo banho quente, relaxou, depois ligou pra Camila e combinou de se encontrarem. Ele estava com saudade dela. Apesar do namoro ter começado fazia pouco tempo, ele sentia como se namorassem há muito tempo. Ele tinha boas expectativas com relação ao futuro com Camila. Jantaram juntos, conversaram e entre um folguedo e outro, foram diminuindo suas peças de roupa, até estarem como vieram ao mundo. Entre uma carícia e outra, Camila voltou a falar sobre a ascensão social necessária, e Andinho sentiu um aperto no peito, uma angústia, que foi aumentando conforme ela ia falando, sua voz se tornara chata, seu tom era estridente e antipático, Andinho não aguentou mais e se impos, disse que as coisas não eram bem assim e que ele tinha valores de homem do bem, que acreditava na evolução da consciência, onde todos se tratariam melhor e que a comunidade poderia viver uma autogestão anárquica. Camila falou duro com ele, apesar de ter aveludado a voz, ela era direta, dizia que se ele pensasse assim iria estagnar, seria passado pra trás, feito de trouxa, pois ninguém estava nessa onda dele e as pessoas eram como feras disputando carniça em meio à savana da vida. Ela falou como amiga de infância, falou com autoridade de mãe, usou de toda a psicologia possível, afinal, ele era seu principal projeto, Andinho tinha futuro, levava jeito pra negócios. Tanta pressão aliada a técnicas, levaram Andinho à um surto, onde em meio à protestos, desatou em choro. O choro foi livre. E a cena se revelou ridícula: ele e a namorada nús, e ele chorando motivado pelo uso da psicologia por sua querida. Dias depois eles terminaram o namoro.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Agricultura e Florestas – Jorge Vivan - Resenha crítica


Jorge Vina vem por meio desta obra, trazer luz para todos os interessados em agroecologia em específico agroflorestas, onde cria-se uma floresta onde as plantas nativas se misturam com as plantas alimentícias ou de alguma outra função, mas que foram introduzidas naquele espaço pela ação do homem, criando um equilíbrio daquela vegetação e natureza como um todo.
Através de pesquisas acadêmicas e dados estatísticos, Jorge mostra a possibilidade de produzir aliado com a natureza, participando do ciclo natural que vai do nascimento ao outro nascimento. Mais um aprendizado imortantíssimo para todos que militam pela preservação da natureza e que praticam a permacultura.
Segue uma resenha do livro:
“Essa é a nossa porta de entrada para o fuuro possível, onde o homem deixe de ser o sabotador de seu próprio sustento, e incorpore em sua vida diária a interação otimizada com o ambiente que nos sustenta.”
“Os colonos italianos que chegaram ao sul do Brasil, em 1885 derrubaram araucárias (Araucaria angustifolia) de mais de 3m de diâmetro e 45m de altura, visando o plantio de trigo, cujas sementes trouxeram da Itália. Na mesma área, relativa (600m2) à copa de uma dessas árvores que produzia mais de 300kg de pinhões por ano por árvore, menos de 60kg de trigo eram colhidos.”
“Em substituição ao papel de 'orquestrador' da Companhia das Índias Ocidentais do tempo das caravelas, temos os conglomerados madeireiros, o agribusiness pecuário e seus elos internacionais de mercado. Do migrante miserável ao alto executivo, a ideologia é de que é uma 'missão' dar uma 'utilidade' aos ecossistemas e 'civilizar' os indígenas. Maximizar o uso do recurso natural e acumular bens é tão natural na ideologia dessas regiões como respirar.”
“... as legislações ambientais vieram sempre após a formalização social do processo de degradação, e que o povo obedeceu às novas regras enquanto houve coerção pela força.”
“Teríamos que incluir citações como 'Maias (765 a.C.)'. Afinal, determinadas práticas de manejo agroflorestal foram herdadas deles, embora diferentes pesquisadores tenham se ocupado em relatá-las, e agricultores contemporâneos ainda as adotem.”
“... não há nada de errado com o mundo. O que esta errado é a nossa maneira de olhar para ele.”
“Resumindo, a análise histórica mostra que, mesmo tendo elementos fortes de sustentabilidade e adaptação ambiental, os sistemas agrícolas – os agroecossistemas – sempre foram muito influenciados pela ideologia dos seguimentos dominantes.”
“Portanto, encarando de frente a vida que nos envolve, como parte dela que somos e não como deuses onipotentes...”
“Em suma, não é o que queremos que as plantas e os animais nos produzam. O que comanda é o potencial inerente que todo o organismo vivo que congrega e integra plantas e animais pode produzir, e quais são os fluxos e ciclos de energia que determinam esta produção.”
“O resultado global destes preceitos é uma abordagem que procura não como intervir, mas sim, como não intervir.”
É imprescindível fazer um “...zoneamento de ambientes favoráveis às culturas que pretendemos” para não precisarmos alterar muito a natureza e geografia local.
“... bananeiras precisam de zonas de umidade constante, boa exposição solar e matéria orgânica. Isso não é encontrado dentro de uma mata primária intacta...”
“... Amaranthus spp. Essa planta cobre bem o solo e é grande recuperadora de nitratos. Enquanto não competem por luz, a alface e o amaranto são um consórcio. Quando esta competição se inicia, o manejo de 'capina' é quebrar o amaranto, de modo que os nutrientes que acumulou sejam recuperados pela alface.”
“Se quiséssemos aumentar a eficiência energética do sistema, poderíamos ter introduzido mamão ou outro cultivo apropriado de ciclo médio.”
“Por isso, mais do que nunca, é preciso entrar na mata, andar, tocar, observar e senti-la como que verdadeiramente é, ou seja, um organismo vivo e auto-regulado.”
“... quanto maior o conhecimento do histórico do local, maior será a quantidade de informações que um indicador biológico poderá fornecer.”
“... a análise das interações entre radiação, umidade e nutrientes. Essas interações determinam as características básicas da fauna e da flora.”
“ Quanto mais perto dos pólos, mais crítico é o fator radiação, através da redução de luz e calor.”
“Também aliada à umidade alta, a sombra não ajuda muito secadores solares, plantios de determinadas culturas anuais e determinadas fases de frutíferas, como a floração.”
“... o encontro entre o reducionismo e o holismo, entre o saber popular e o saber acadêmico é o caminho para se chegar a um conhecimento real dos ambientes.”
“para conhecer a natureza, devemos prestar mais atenção às formas do que ao conteúdo”.
“Quando falamos da dinâmica da sucessão natural de espécies, citamos a palavra 'consórcios' e 'consórcios dominantes' algumas vezes. Na verdade, não se trata apenas de uma sucessão de espécies, mas sim de uma sucessão de consórcios de espécies. … um consorcio de seres vivos, do nivel micro ao macro.”
“Na sequência, os cipós deslocam-se para o alto das árvores, criando uma teia de amarração que ajuda a vegetação a resistir aos vendavais e ciclones.”
“Áreas abandonadas há mais de 8 anos e que sustentam apenas samambaias e arbustos pioneiros indicam como histórico uma ação antropogênica intensa, com fogo e pastoreio... embaúbas... uma derrubada seguida de fogo com posterior abandono... solos mais férteis e úmidos... embaúba branca... embaúba vermelha... solos mais fracos.”
“... nem todas as espécies tolerarão podas anuais, mas sim deverão ser avaliadas em função da recuperação que apresentarem.”
“...a podação seletiva de indivíduos causa uma transferência progressiva da biomassa ( e consequentemente dos nutrientes) armazenados na vegetação para o solo.”
“Este é um pricípio que orienta as roças indígenas...”
“Embaúbas(Cecropia spp)... certa habilidade de rebrote enquanto juvenis e adultas. Mundururús (Melastomataceae) já são menos hábeis no rebrote... Capiangas têm grande capacidade de rebrote, assim como o Fumo-Bravo (Solanaceae)... jurubeba (Solanaceae), a candeia (conhecida como 'vassourinha' no sul do Brasil, família Compositae) são hábeis no rebrote...”
“Resumindo, o comportamento das espécies é o resultado de uma interação entre o nicho que ocupam na sucessão, e fatores de nutrientes, umidade e radiação.”
“Na Mata Tropical Úmida, quando há a ausência de um período seco previsível, o final da época dos vendavais é propícia para o manejo de áreas de mata secundária madura e mata primária...”
O manejo no período de chuvas “propicia a entrada de radiação e nutrientes numa época onde esses fatores poderiam limitar o crescimento das espécies introduzidas.”
“Em outras palavras, o produtor pode receber de 10 a 100 vezes menos do que o consumidor paga pelo mesmo produto.”
“Queremos conhecer profundamente populações e ambientes e desvendar a lógica dos sistemas, de modo a deixá-los mais afinados com os ambientes, o que pode vir a torná-los economicamente eficientes, ambientalmente sustentáveis e socialmente benéficos.”
Em terrenos como os latossolos da Mata Atlântica, qual é a agricultura que podemos praticar? “Cultivos sucessivos e consorciados que mantêm o solo coberto; rotações de cultivos com espécies ferilizadoras, introduzidas ou nativas; convivência dos cultivos com plantas nativas...”
“ ...numa área menos exposta à radiação, algumas culturas, como o feijão e o milho, podem ter dificuldades ou diminuição de produtividade.”
“Radiação. Uma exposição voltada para o noroeste aumenta significativamente a quantidade de energia radiante recebida, principalmente, em áreas declivosas.”
“Para o agricultor que planta, maneja e colhe em um sistema agroflorestal, dois fluxos são básicos: quantificar entradas e saídas, relacionadas a volume, data e natureza da atividade ou produto. Esse tipo de anotação primária permitirá traçar um perfil de consumo de capital, mão-de-obra e insumos, bem como de produtos obtidos ao longo do tempo.”
“A grande dificuldade é analisar o desempenho dos produtos item por item, uma vez que os insumos, manutenção e mão-de-obra afetam praticamente todo o sistema, não importando se ele será colhido em 3 meses ou 30 anos. De qualquer modo, os retornos proporcionados pelos produtos de curto e médio prazo podem ser relativizados aos custos integrais do sistema no período, o que dá uma relação custo/benefício do produto em relação ao sistema como um todo.”
“Não sabemos ao certo quem está derrubando nossas florestas e nem quem vai alagar nossas terras, mas sabemos que moram em cidades, onde os ricos estão ficando mais ricos, e nós os pobres estamos perdendo o pouco que temos”.
“...o tamanho ideal de cada mutirão era o que possibilitava que cada propriedade fosse visitada uma vez por mês. Todas as segundas... quatro famílias de agricultores...”
E suma, o livro traz a reflexão sobre produzir alimentos, madeira com equilíbrio e em conjunto com a natureza. E nos lembra que somos parte dessa natureza, fazemos parte dessa energia maior que rege toda a vida no universo. Nesse aspecto, não somos nem maiores nem menores que os outros seres vivos.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O vizinho estranho

Rafael era um rapaz diferente dos demais, ele gostava de fazer história na vida, viver aventuras, explorar lugares desconhecidos, gostava de se arriscar, conhecer pessoas e ao mesmo tempo preferia a solidão, fato que se consolidou quando finalmente foi morar no mato a primeira vez. O sul do Pará foi de grande aprendizado e também de desafio para aquele moço, mas agora, um pouco mais maduro, preferia gozar daquela vista das montanhas mineiras. Afinal, mosquito é mesmo o diabo.

Comprou uma pequena propriedade, e planejou construir sua casa. E enquanto isso, mantinha uma relação ítima com sua vizinha de sítio. Amizades também foram consolidadas na redondeza. Era conhecido por poucos. Quase ninguém conhecia-o por nome. Era decente, se dava ao respeito.

Além dos afazeres de sítio, sobrava-lhe tempo para vadiagens e devaneios. E em um belo dia de chuva, depois de já passados 5 dias chuvendo, cansado de ficar em casa, vestiu sua capa de chuva, do jeito que estava ( e estava só de cueca) pegou seu pifano e foi para o campo. Resolveu subir um morro e em cima de uma rocha, se soltar um pouco, relaxar.

Tocou seu pífano com muita empolgação e alegria em seu coração. Dançou, rebolou e gastou seu pulmão jovem até não poder mais. Chovia à cântaros. Os moradores da montanha temiam até uma tragédia.

Seu Zé, vizinho de sítio, saiu apressado pra acudir um casal que tinha um bebê e cuja casa ficou sem luz elétrica. Coitados, desprovidos do essencial. A galopes de cavalo descia o Seu Zé. E o que não foi sua surpresa ver seu vizinho, Sinhozinho Rafael, fazendo aquela estripulia toda, de noite, num temporal daquele.

Interior todo mundo se conhece, sabe da vida do outro e fofoca mesmo, sem um pingo de vergonha na cara. E foi o que aconteceu naquele dia, sobre o ocorrido na noite passada. O vilarejo conheceu e passou a comprimentar o mais novo morador da montanha, com um sorriso malicioso, de quem aceita mais um colega doido. Mas quem é normal?

domingo, 21 de junho de 2015

A senhora, dois amigos e a cocaína

Estava Arthur e Cleiton indo para uma festinha nas imediações da Lagoa da Conceição, quando ao passarem pelo Campeche, avistaram uma senhora, de seus 60 a 70 anos de idade, caminhando pela Pequeno Príncipe e pedindo carona, pesando pelo seu corpo cansado a gravidade, o quelhes chamou a atenção. Conversaram entre si e decidiram oferecer carona para aquela pobre senhora, que devia ser avó de muitos.

Pararam o carro, abaixaram o vidro, e ofereceram respeitosamente carona. Perguntaram para onde ela ia, e ela respondeu que iria para o Rio Tavares, caminho para eles. Ela entrou, e junto de si trazia uma sacola plástica, com algumas garrafas, que atritavam entre si e geravam aquele barulho peculiar. Arthur já olhou para Cleiton com malícia de quem desconfiava do que se tratava aquele conteúdo.

A conversa se iniciou de forma cuidadosa, se preocupavam com a segurança daquelasenhora que transitava pelas ruas às 23h de uma sexta-feira. Perguntaram onde ela gostaria de ficar e ela disse que seria ótimo ficar no posto de gasolina 24 horas do Rio Tavares. Pois talvez encontrasse com alguns conhecidos. O que aguçou a curiosidade dos dois amigos.

Não demorou muito, aquela senhora de aparência decente, e até tradicional, se mostrou atrevida. Ela perguntou o que aqueles dois estranhos iriam fazer naquela noite de inverno, o que pretendiam realizar. Eles disseram que iam se divertir, encontrar alguns amigos, ouvir um som, tomar algo talvez. Aquela senhora então tomou coragem e convidou Arthur e Cleiton para uma suruba, onde haveria alcool e cocaína. Podiam apenas se tocar, ou algo mais, sacanagem de todo tipo era permitida. Uma orgia à moda antiga (provavelmente ela era da velha guarda dos "sexualmente livres"), mas não tão antiga. Até moderna para aqueles amigos.

Uma surpresa para aqueles dois amigos nos altos dos seus 28 anos, que esperavam que sua próxima década de vida fosse trazer o sussego, que uma vida madura que fazia a promessa de trazer tranquilidade fossem elevá-los à uma posição mais sublime, de evolução; então se surpreenderam com esse mulher bem mais que madura que lhes mostrou que tudo podia ser bem ao contrário. A baixaria, a sacanagem os podia perseguir por anos, até a velhice, eternamente talvez.

Brincaram com ela, na amizade, mas ao fim recusaram, lisonjeados pelo convite. Todos somos pessoas únicas, completas e com direito à felicidade. Eles se manteram fiéis ao seu conceito de felicidade e evolução, mas entenderam e respeitaram o desejo e a liberdade de cada um ao seu limite de libertinagem. Quer viver a esbórnia? Que viva! Não interessa quem nem a idade.

Arthur ainda brincou com Cleiton, se realmente ele não se interessava na proposta. Não esta fácil encontrar propostas assim! Risos. Lição de hoje: os limites da libertinagem vão mais além da nossa imaginação. Não crie estereótipos, eles podem te enganar.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mijando no pub

Era uma turma de amigos de anos. Estudaram o ensino médio juntos, na mesma escola, conviviam fora de sala de aula, jogavam basquete juntos, frequentavam as mesmas festas e decidiram que ao se formarem no terceirão, iriam viajar pela europa, onde morariam e trabalhariam por um tempo, ou talvez pra sempre.
Escolheram morar em Londres, no Reino Unido, já que a Libra lhes podia fornecer um melhor salário. Uns vieram diretamente do Brasil, enquanto outros vinham de outros países como os Estados Unidos e Itália. Estavam desbravando o Velho Continente, conhecendo a origem da cultura ocidental e vivenciando a juventude com festas em lugares desconhecidos.
Como muitos jovens de vinte e poucos anos, estavam experimentando seus limites físicos e morais, um aprendizado necessário que todo adulto deve ter. Esse aprendizado da vida às vezes nos cobra um preço, ou simplesmente nos dá uma lição.
E numa noite de sábado, eles decidiram testar seus nervos num pub de Londres. Juntos eles se transformavam. Começaram com uísque escocês e beberam cerveja dentre outras bebidas, e assim se foram 4 horas bebendo sem moderação.
Ao final do ritual, um funcionário inglês foi pedir que eles se retirassem, pois já estavam exaltados. Sendo que para um inglês, os brasileiros sobriamente já são exaltados, eles não receberam bem a ideia. A maioria resolveu que não iam sair. Eles eram como uma gangue, e se sentiram injustiçados e até desafiados.
Começou a intervenção dos seguranças que cairam de mão em cima deles, que respoderam no mesmo nível. A coisa ficou feia, e enquanto o pub se esvaziava, um dos amigos, movido por um litro de uísque, arrancou o pau pra fora e começou a mijar, ali mesmo, no meio do pub. Quando o segurança se deu conta do ato, agarrou ele que ainda não tinha parado de urinar, e o jogou porta afora, caindo no chão e se mijando todo.
E assim depois de ameaçarem e serem ameaçados, partiram rumo a casa, sob ameaça policial, analisando a situação, pensando em como foram imaturos, e como colocaram sua segurança e a dos outros em risco, de forma tão leviana. Em silêncio caminhavam juntos com uma sensação de prazer, cansaço e aprendizado pairando no ar.

Filosofando nús

Breno era um homem incomum, era avesso ao establishment, e como não gostava do sistema, foi aos poucos desgostando das coisas ligados à ele, como trânsito, shoppings, lojas, escolas, urnas de votação. Chegou a ir mais longe, depois dos 30 anos foi perdendo o gosto por festas, qualquer tipo de tumulto ou bebedeira. As pessoas quando se juntam em grupo, dizia ele, se transformam pra pior. Os homens querem se aparecer para as mulheres e vice-versa; e fazem muitas vezes isso de forma patética, desagradável. E as fofocas e difamações então?
Breno nessa época era bon vivant, seus custos eram bancados por seu pai, que era construtor civil e que torcia para que muito em breve ele passasse em algum concurso público. O que ocorreu, porém dez anos depois desse ano. Muitas de suas horas eram gastas em pequenas reuniões de músicos independentes, onde conversavam, tocavam, bebiam e fumavam. Eram artistas criando as tendências da atualidade.
Um dia, numa dessas sociais Breno e seus amigos resolveram fazer uma zueira com o entregador de pizza. Breno pediu aos amigos que tirassem suas roupas, mas sem intuito homossexual, pois estavam somente entre homens, e ele queria deixar claro que era somente uma brincadeira. Deviam recordar os tempos de saunas filosóficas da Antiga Grécia, conversando sobre ideias, política e filosofando. Todos nús. Queriam saber qual seria a reação do pobre homem.
E assim sucedeu que os dez amigos pediram as pizzas e esperaram pelados pela entrega. O motoboy chegou e apertou a campainha e foi recebido por um grupo de homens nús. Gordos, pelados, peludos, magrelos, pretos, brancos, feios e mais feios ainda; todos conversavam naturalmente entre si. Conversas sérias, inteligentes, profundas. Falavam sobre porque que o socialismo era melhor que o neoliberalismo, sobre ecologia, sobre Platão, Aristóteles, sobre a teoria dos antigos astronautas, sobre física, sobre teletransportagem. Fumavam charutos e bebiam uísque. O entregador não sabia o que fazer, não sabia o que pensar daquilo. Seria uma orgia entre homens? Uma seita? Um hospício pra doidos? Estava mais para terceira opção; porém como ele não sabia, depois de receber o dinheiro, mais que depressa largou as pizzas ali e se mandou. Eu que não quero ser a mulher do padre, pensou ele.
Foi a satisfação do grupo, que depois de vestirem suas calças voltaram ao seu convívio cotidiano.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ensinando história e política para um capitalista - segunda parte

Osmar conta essa história.
"Professor reprova a turma inteira. Um professor de economia em uma universidade americana disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.
Essa classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza
 ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.
 O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."
 Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas'. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que em teoria, ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um "A".
 Após calculada a média da primeira prova todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
 Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Como resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.
 Depois da terceira prova, a média geral foi um "F". As notas não voltaram a patamares mais altos mas, as desavenças entre os alunos, a busca por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina... Para sua total surpresa.
 O professor explicou: "O experimento socialista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande". Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto o exemplo de Cuba, Coréia do Norte, Venezuela. E o Brasil e a Argentina, que estão chegando lá.."
 1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;
 2. Para cada um recebendo sem ter que trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;
 3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;
 4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividi-la;
 5. Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, chegamos ao começo do fim de uma nação.
 É o mais puro retrato do Brasil que vivemos.
 Muito bom! A cara do Brasil"

Arthur: Eu acredito que para se alcançar a igualdade e o comunismo é preciso uma reeducação de toda a população mundial, onde as pessoas se acostumassem a serem menos diferentes aos poucos, passando essa evolução de geração a geração. Não é da noite pro dia que se constrói um socialismo de verdade. Se o próximo governo fosse mais socialista, e assim sucessivamente, em poucas gerações já viríamos a diferença em nosso convívio social e na felicidade das pessoas. O socialismo é amor ao próximo, é respeito pelo outro, é humildade. Por isso é uma ideologia. Enquanto as pessoas não mudarem, o sistema não vai mudar.
Osmar: Isso so sera possivel no ceu! Se é que voce ainda acredita nisso! Isso é impossivel aqui nessa terra, onde nós vivemos! So Deus que pode impor isso que voce fala!
Arthur: Não podemos pensar assim, temos que nos esforçar para tornar nosso mundo, nossa vida mais justa e amorosa. O que vem depois da morte, é um mistério. Um grande problema nosso é que ja nascemos no capitalismo e no acostumamos com essa ganância, com a exploração do outro, com a divisão de classe rica e pobre. Herdamos valores que podemos e devemos questionar. O paraíso pode ser aqui.
Osmar: Impossivél! Este mundo e contaminado pelo Pecado! O Mal predomina aqui! Só Deus vai acabar com isso! Agora depois que Deus intervir aqui nesse mundo! Aí sim poderemos ter o socialismo que voce tanto fala! É impossível socialismo feito pela mao do homem. Só Deus pode faze-lo! Essa é a realidade.
Leandro: Ozelito esse experimento é como a banana sendo prova da existência de Deus. Só cola em senso comum.
Note que durante um experimento o personagem pode influenciar no resultado para validar algo de seu interesse.
O experimento verificou que pessoas treinadas para agir como lobos vão agir como lobo mesmo que lhe ofereça viver em uma colmeia como abelhas.
Assim é preciso um processo de aprendizado, reeducação e obviamente interesse.
Você também pode analisar da seguinte forma: vc tem uma ideia de algo. Como uma lâmpada, que ao passar energia ela gera luz . Certo... então vc faz experimentos combinando elementos. O Thomas Edson fez mais de 1000 tentativas até refinar a técnica e obter algo que hoje é trivial.
Não espere que um experimento meia boca desse feito por um descrente vai achar a combinação certa dos elementos para que a lâmpada brilhe por longos anos.
Dizer que nunca deu certo não torna algo impossível. Imagina quantos milhares de gametas(espermatozoides) voltaram dizendo que não deu certo mas vc foi lá e mostrou que era. Seja mais positivo.
Lhe falta uma percepção além do senso comum. Talvez um pouco de filosofia(teoria mesmo) ajude a melhor compreender o mundo.
Mas o fato é que esse experimento não prova o que vc acha que prova.
Boa sorte.

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Osmar mostra uma foto. "Venezuelanos choram por ver seu país dominado e destruído pela ditadura bolivariana de Nicolás Maduro" (Foto  de uma jovem loira pintada com cores da bandeira da Venezuela em forma de choro)
Arthur: Não sei não. Amigos meus que foram pra Venezuela disseram q a maioria apoia o governo.
Osmar: Vai lá! E tire suas duvidas!
João: Classe média alta europeizada indignada!
Roberto: Que cara do povo indígena venezuelano chorando. Repare a acara de sofrida. Mas bom, eu já fui pra Venezuela e duas vezes pra cuba do incrível ditador Fidel Castro, facínora sanguinário. Saí ileso, mas eles me pediam papel higiênico, porque no regime castro todo mundo eh escravo do barbudo. Poo Osmar, falta um pouco de vontade de fazer uma reflexão critica né?
Osmar: Faz assim! Manda o Arthur pra lá! Kkkkk. Quero ver se ele aguenta 6 meses! Mas pra que papel higiênico? La o povo ja é acostumado! Papel Higiênico é luxo! Kkkkkkk Agora o barbudo só usa o de folha dupla! Só bebe uísque do bom! E os bilhões de dólares dele, que estão depositado em Bancos Suíços! Fidel é um dos homens mais ricos do planeta!
Roberto: E a preguiça continua.
Leandro: esse brinco é de ouro?

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Osmar mostra foto de uma das ruas de Havana, Cuba. Com aparência de reforma. Parte antiga da cidade.
Osmar: Olha ai! O que e socialismo! Kkkkkkkk
Arthur: O complexo do alemão, no Rio de Janeiro é bem melhor que isso, né?