terça-feira, 27 de novembro de 2012

A hipocrisia das universidades


Quando realizamos o estudo superior, nos graduando na universidade, passamos a admirar os grandes pensadores das ciências estudadas. Passamos quatro anos ou mais lendo suas obras e ouvindo críticas e elogios dos professores quanto aos textos. Pensamos em quão inalcansável é o posto destes doutores, pois é necessário muito estudo, pesquisa e idéias geniais nunca pensadas antes, certo? Errado. Depois que nos graduamos e consideramos avançar nos estudos através do mestrado e doutorado, percebemos a pobreza de espírito que esses “doutores” possuem.
Não há generalização, existem algumas excessões, como sempre. Entretanto não podemos fechar os olhos diante de um grupo de pessoas que se fecham em pequenos grupos dentro das universidades públicas, onde existe um ciclo ridículo que utiliza do dinheiro público para se sustentar. Um ciclo onde o bolsista explorado e mal remunerado, passa a ganhar menos mal, continua sendo explorado em troca de um título de mestre e posteriormente de doutor. Não há abertura para quem é estranho, não há oportunidade para quem quer estudar, obter conhecimento.
A universidade está se transformando num reflexo de Brasília, em pequena escala, onde a politicagem chega a patamares inimagináveis. Pior ainda é quando se trata das ciências humanas, ciências não exatas, onde a avaliação do professor segue critérios questionáveis, onde muitas vezes o afeto pessoal toma o lugar da avaliação justa sem ver a quem se avalia. Isso é a degradação das ceências humanas no Brasil, isso em nada contribui para a melhoria do país, da comunidade.
Existem muitas mentes brilhantes que nem sequer terão a oportunidade de seguirem a vida acadêmica por causa do protecionismo de professores idiotas, que usam o dinheiro público para seu belprazer. Essa injustiça tem que acabar.
Terrível é imaginar quantas estagiárias têm de se prostituir pra ter uma bolsa miserável, ou conseguir entrar em um mestrado. Isso é nojento! Logo em um meio tão culto, onde as pessoas deveriam por em prática o mínimo de ética que ensinam.
Opinião? Os alunos de humanas não sabem o que é isso. Quem vai falar mal dos métodos de ensino do professor que te avaliará na próxima prova ou seleção do mestrado? Vive-se uma tortura psicológica durante quatro anos na universidade. Exagero? Procure saber se aquele colega questionador e crítico se formou. Pouco provável.
Que tipo de acadêmicos o Brasil está formando? Um bando de puxa-sacos e prostituídos? Gente sem capacidade, com didática arcaica, com pouca ou nenhuma vontade de dar aula ou resolver problemas que assolam o país hoje, nesse momento. Com olhos apenas para a remuneração.
Penso que a universidade serve pra isso: melhorar a vida dos cidadãos do país, trazer desenvolvimento sustentável, tecnologia, qualidade de vida para a população. Mas não é isso que estamos vendo. Podemos melhorar muito como país e como universidade. Vamos tirar a bunda da cadeira, vamos agir, pra melhorar a vida de toda a sociedade. Vamos por em prática a teoria! De nada vale nos trancar numa sala de aula e discutir teorias, se nunca forem postas em prática. Chega de hipocrisia.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande


Os Azande são uma tribo africana que foi estudada pelo antropólogo Evans-Pritchard em fins da década de 1920. Ele focou sua etnografia na bruxaria, adivinhação, magia e o uso de plantas alucinógenas entre esse povo.
A noção de bruxaria entre os Azande é mais ligada ao medo de pessoas poderosas, e de adivinhos que supostamente desejariam seu mal, lançando uma bruxaria para essa pessoa ou familiares, no Brasil também conhecido como “mal olhado”. Os infortúnios que ocorrem entre eles geralmente são ligados à essas palavra. E são acusados os ditos bruxos, que são julgados pelos oráculos através do uso de “benge”, um veneno em que as chances das aves que o ingeriram sobreviverem ou morrerem é de 50 por cento. Ou seja, se a ave morre o acusado pode ser ou não bruxo “de fato”. Antes da invasão branca o oráculo de veneno foi utilizado pelo príncipe da nação Zande em homens, aos poucos foi transferida essa responsabilidade para as aves. Muitas outras decisões importantes na comunidade são tomadas através da consulta aos oráculos.
Os Azande afirmam que todo bruxo tem uma “substância bruxaria” junto ao seu intestino, e quando matam o bruxo, eles tem que abrir o morto e mostrar a substância para provar a veracidade da acusação.
Interessante notar que Evans-Pritchard teve uma experiência real com a bruxaria. Ele saiu de sua cabana e foi no mato urinar e viu a bruxaria. Como os azande descrevem-na ela é como uma luz que sai do bruxo e vai até a pessoa afetada. Ele relata em sua obra, que viu com seus próprios olhos a bruxaria aquela noite.
Os azandes utilizam plantas alucinógenas em suas magias para variados fins, geralmente eles pedem para as plantas intercederem por eles com relação às forças da natureza (ex. para evitar que a chuva caia), à agricultura (ex. fecundidade de plantas alimentícias), à caça, pesca e coleta (ex. Benzer armadilhas e laços), à artes e ofícios (ex. Fundição de metal), aos poderes místicos (ex. Contra bruxos e feiticeiros), à atividades sociais (ex. obter esposa) e à doença (cada doença possui uma planta apropriada ao seu tratamento).
Muito interessante o relato de acompanhamento de um treinamento de um noviço na arte da adivinhação.
Existe algo neste livro de similar aos relatos de Carlos Castañeda na sua experiência com o feiticeiro Yaqui, Dom Juan. Favret Saada descreve esse tipo de etnografia como “ser afetado” pela cultura do povo estudado. Vivenciar e sentir o que eles sentem.
Seria tudo uma questão psicológica? A realidade, apenas um momento, num determinado local com determinadas pessoas?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

As primeiras religiões


Quando se estuda religiões primitivas, percebe-se que a simplicidade facilita a compreensão das formas elementares da vida religiosa. Émile Durkheim dedicou um livro somente para esse assunto, e entre outros sociólogos e filósofos, trouxe uma lógica bem interessante sobre as religiões.
Dentre as instituições que formam a cultura humana se encontra a religião. Crer é individual, porém realizar cerimônias públicas, criar vínculo com a rotina do grupo, é totalmente de caráter social. A religião é uma importante peça da sociedade humana e está interligada à outras instituições de homens.
O naturismo e o animismo são as duas religiões mais simples que existem. A partir delas que surgiram outras religiões, que foram se misturando e se tornando complexas.
O naturismo é culto à natureza, a divinização dos animais, das plantas, da água, da terra, do sol, da lua, dos ventos, das chuvas, etc. Nada mais lógico que dar uma extrema importância para esses elementos de que depende a vida humana. O sol faz brotar a planta que dá seu fruto para nos alimentar, a chuva a faz crescer, a lua influencia a pesca e as marés, a água pura nos mata a sede.
Existe algo mais amedrontador que uma tempestade ou terremotos, maremotos?
Essa dependência e temerosidade explica porquê o naturismo ainda é cultuado por muitas pessoas.
No naturismo não se distingue ao certo o profano do sagrado, o que torna mais óbvio que a junção dos dois é que constrói o todo, que deve haver o equilíbrio, que a morte é só o outro lado da moeda da vida.
O respeito pela natureza e o contato íntimo com ela nos abre os olhos para a vida e para nós mesmos.
O animismo é a crença em seres espirituais, almas, demônios, divindades propriamente ditas, agentes animados e que possuem consciência como o homem mas que se diferenciam pela natureza corpórea e dos poderes. Esses espíritos geralmente não são perceptíveis aos olhos humanos.
A alma não é um espírito. Não é objeto de culto. O animismo diz que a alma do homem tem vida própria, que ela pode sair do corpo e divagar sem a ajuda do corpo animal. Essa ideia surgiu pelas experiências vívidas que se têm ao sonhar. Acredita-se que os sonhos são experiências reais e que o “duplo”, o “outro eu” que é a alma, realmente esteve naqueles lugares e viveu aquela situação.
O culto às almas dos mortos só se dá posteriormente, e configura outra religião.
Quando nosso estudo se concentra no início das religiões, percebemos melhor como a fantasia trabalha na mente humana e a leva a se adaptar conforme a sua realidade. Mesmo a ciência como a entendemos hoje, é uma religião. Uma linguagem, uma forma de explicar as coisas desse planeta, da nossa vida. A caminhada continua, porque muita coisa ainda não deixou de ser mistério.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Martelo das Feiticeiras


O livro "O Martelo das Feiticeiras", também conhecido internacionalmente como "Malleus Maleficarum" foi escrito em 1484 pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger. Foi um dos mais importantes depositários das leis que vigoravam no Estado Teocrático. Era o livro usado como manual para o julgamento, tortura e morte das bruxas na Europa.
Ao longo de suas mais de 500 páginas percebemos que por medo da superioridade feminina, houve uma tentativa (bem sucedida) de sabotar as mulheres e as religiões que as favoreciam. Assim, as mulheres poderosas eram perseguidas.
Neste livro, a filosofia cristã é distorcida e o foco sobre a "Eva pecadora", a "Costela torta de Adão" cria um sentimento e menosprezo pela natureza feminina que é predisposta para o pecado, curiosa para as coisas do demônio como a cobiça, a vaidade, entre outros pecados.
Algumas características marcam a maioria das bruxas: elas voam cavalgando em demônios, elas praguejam abertamente contra pessoas, elas são temidas por seus poderes que seriam o de fazer chover ou o inverso, matar gado, adoecer as pessoas... Elas não frequentam a missa, transam com demônios, deixam os homens impotentes, se teletransportam, transformam os homens em bestas, roubam crianças e as cozinham num caldeirão para produção de uma pasta mágica, etc.
Detalhes sobre cada feitiço ou sua relação com Satanás, Lúcifer é descrito no livro.
É interessante notar que o texto abre algumas brechas para que o leitor veja erros dentro da organização eclesiástica, erros absurdos como bispos que possuem amantes bruxas e outros abusos cometidos pelos homens com as mulheres e que são acobertados pela Igreja Apostólica Romana.
A Demonologia é criada a partir do Malleus Maleficarum, onde é teorizado o papel dos anjos, assim como seus poderes e sua relação com Deus. Os teólogos escrevem sobre a natureza corpórea dos anjos, como eles fazem barulho mesmo não tendo pulmões, etc.
Algumas características das bruxas são comuns em culturas diferentes, porém o foco é colocado de forma diferente dependendo do olhar de quem escreve. Tudo é uma questão de ponto de vista.
O que não podemos ignorar são os pontos em comum.
O Malleus Maleficarum foi aprovado pelo corpo docente da Universidade de Colônia. O que prova que mesmo o dito conhecimento científico pode estar equivocado. É um ponto de vista.
Por isso a conclusão é: as bruxas existem.
E as perguntas que não querem calar: quem são elas? O que realmente podem fazer de extraordinário? Com qual intenção?
Obrigado.
Dom  

sábado, 26 de maio de 2012

Hippie Chique


Termo utilizado atualmente pela juventude para se referir às pessoas que são tidas como hippies, que se vestem de forma mais “largada”, com calças e camisetas coloridas, geralmente manufaturadas, usam colares de sementes, pulseiras e acessórios feitos por hippies artesãos. Geralmente fumam maconha e gostam de LCD, ás vezes de outras drogas também. São despreocupados com o futuro e geralmente têm a mente mais aberta que as pessoas comuns. Pensa-se que são destituídos de preconceito. Gostam de natureza, matas, cachoeiras e se preocupam com a preservação das mesmas. Gostam de viajar e de se mudar, têm desapego material. Vivem de artesanatos e da música em sua maioria. Gostam de Rock, reggae e samba de raiz. Deixam a barba crescer, o cabelo crescer. Mas isso é o que já sabemos sobre os hippies. O diferencial do hippie chique pro convencional é que geralmente os chiques vêm de um lar abastado, possui herança, é sustentado ou teve oportunidades que os outros hippies não tiveram.
Em seus primórdios os hippies eram chiques em sua maioria, filhos de famílias de classe média. O movimento veio justamente pra questionar o rumo que a sociedade capitalista estava levando. O filho abandonar a casa, a oportunidade de continuar com a empresa ou o emprego do pai pra ir viver no mato com amigos pouco preocupados com o lucro, com o enriquecimento, deixava os pais de “cabelo em pé”.
Por ser chique o hippie não deve se sentir intimidado, o importante é a filosofia de vida, a busca por uma sociedade mais justa, um convívio mais saudável e mais equilibrado visando sempre a paz e o amor. Mesmo parecendo piada para muitos a existência do chamado hippie chique, é um caminho bom para se seguir, a partir de quando percebemos que a verdadeira pobreza é a pobreza de espírito, a pessoa ser vazia, sem amigos, sem amor, preocupada em apenas ter dinheiro pra tentar comprar tudo e todos.
Ser hippie chique ou hippie limpinho é um risco, deve-se ter muito cuidado com o apego material, o amor pelo dinheiro, a tendência individualista e egoísta da sociedade capitalista. Mas se for sábio para lidar com a questão e ter um pouco de preocupação com a higiene sem muita vaidade, está perfeito.
Viva o movimento hippie!

sábado, 14 de abril de 2012

Cultura Alternativa: definição

O conceito de “cultura alternativa” que trazemos é a reunião de toda música, texto, vídeo, costume ou outra forma de expressar uma filosofia, ponto de vista que faz oposição à ideia convencional de cultura da grande maioria dos brasileiros, cristãos e capitalistas.
Cultura alternativa é a cultura rara, bem argumentada, vivida pela minoria e que é muitas vezes vista com maus olhos, seja por ignorância ou por preconceito. Essa cultura é marginalizada muitas vezes, sobrevivendo nas favelas, bares e vida noturna, onde pode ser censurada à muitos.
A luta pela divulgação da cultura alternativa não é de hoje, muitos até preferem mantê-la na marginalidade, já que a popularização da cultura muitas vezes a polui, a distorce.
Os movimentos de esquerda, os protestos, a oposição, as alternativas ao convencional tudo isso é cultura alternativa. O movimento hippie, a Tropicália, o socialismo, a vida simples em meio à natureza, a fitoterapia, a medicina oriental, o rock, o reggae são exemplos de culturas alternativas, culturas essas que são praticadas em meio à nossa comunidade ou em comunidades alternativas.
Certas pessoas odeiam tanto a cultura convencional, que acabam por negá-la e buscam viver da sua forma com pessoas que compartilham as mesmas idéias em lugares onde poderão sociabilizar do seu jeito e em paz.
Ser conivente com uma sociedade onde impera a injustiça, a mentira, onde a miséria e a exploração do mais fraco é vista como necessária, é ser doente, como a própria sociedade. Ser alternativo à essa filosofia com certeza é o sinal mais óbvio de sanidade mental.
Viva a cultura alternativa!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Com os olhos no prato

Havia anos que Carlos planejava fazer uma cirurgia nos olhos, porém como todo filho de deus estava preocupado com sua saúde e sobre o andamento da dita cirurgia, já que quando criança lhe colocaram medo sobre o assunto.

Carlos tinha 11 ou 12 anos de idade no máximo e foi com seus pais na consulta no Hospital Evangélico, que aliás pertencia à igreja na qual sua família comungava. Consultou com um oftamologista amigo da família, o doutor Mário: um senhor tradicionalista, acomodado em sua condição de somente realizar consultas, pois tinha pavor de cirurgias.

Pareceu à Carlos que a opinião do doutor Mário sobre seu interesse de realizar a cirurgia muito tinha de pessoal, e que seu maior interesse era agradar seus pais. "Filho, é uma cirurgia delicada que pode piorar algo que está bom, é um pequeno detalhe que não mudará sua vida em nada", disse. Depois Carlos descobriu que doutor Mário trocava cheques com seu pai, além de ser viciado em masturbar-se.

Doutor Mário não tinha idéia de como era viver com esse problema de nascença, e Carlos lutava consigo mesmo sobre a decisão de fazer a intervenção cirúrgica, e nisso se passaram 15 anos.

A tecnologia havia avançado muito desde 1998 e agora haviam vários especialistas nesse tipo de cirurgia. Devia ter uma demanda grande e podia-se perceber que esse tipo de "negócio" era bem lucrativo, visto o luxo dos consultórios dos especialistas e suas agendas lotadíssimas. Depois de muito ler e conversar com médicos especialistas, Carlos conseguiu por fim achar uma médica de confiança que pudesse fazer a cirurgia.

Passou por outros médicos, dentre dos quais uns bem pilantras. Uma médica chegou ao ponto de destruir sua tentativa de fazer a cirurgia pelo plano de saúde, pois ela queria fazer no particular. Pra isso a safada tinha espaço na agenda.

Depois de muitas consultas e opiniões diversas entre os amigos, Carlos se preparou e foi para a clínica. Tinha a preocupação de continuar a viver sua vida de boêmio, por isso fez questão de confirmar com a doutora Clara se podia continuar fumando seus seis baseados de maconha diários, continuar com suas bebedeiras de fim de semana e suas transas selvagens, como ele gostava e fazia questão. Só a bebida que não podia ser ingerida enquanto tomesse os antibióticos. E assim foi.

Na sala cirúrgica havia uma equipe só de mulheres, o único homem que apareceu depois foi o anestesista, o doutor Pablo. Homem esquisito, que tinha conversado dias antes e que se interessou muito sobre a sálvia divinorum quando Carlos perguntou sobre se podia fazer uso, já que Pablo o advertiu sobre as substâncias que não deveriam ser usadas antes da cirurgia. Tinha um cavanhaque comprido demais para um médico de cidade de interior, além disse usava uns colares que seu pai dizia ser de uso de maloqueiros. Tempos depois Carlos concluiu sorrindo consigo mesmo, que a cara de louco não podia combinar mais com a profissão de doutor Pablo. Que tipo de gente quer se especializar em dopar os outros com drogas fortíssimas?

Carlos estava nervoso, já com as mangueiras enfiadas em suas veias, acompanhando seus batimentos cardíacos pelo monitor, deitado na maca na posição em que Jesus Cristo morreu na cruz. As enfermeiras usavam tocas coloridas, com estampas de desenhos animados infantis, e conversavam despreocupadas, como num passeio com suas amigas. Apesar disso ele sentia uma segurança que mesmo que não tivesse, se obrigaria a ter. Afinal, não ia morrer por falta de fé. Seria como desistir da vida. Uma grande fraquesa.

Nessa hora sensível, quis acreditar que o cardiologista fanfarrão que tinha feito o exame de risco cirúrgico estivesse certo ao lhe dar o aval para a cirurgia. O senhor nordestino já com seus mais de 60 anos falou umas três vezes em sexo e putaria nos apenas 30 minutos de exame. "Meu deus! Quantos médicos tarados não tem por aí? Coitadas de nossas mulheres!", pensou.

Tomou o sedativo e desmaiou num sono profundo e sem sonho. Derrepente algo o incomodou muito: sentia que arrancavam algo de dentro da sua garganta. Era a o aparelho pra respiração, no que tiravam, arranhou a garganta e seu instinto de sobrevivência falou mais alto que o poder da anestesia. Levantou-se de supetão, com um urro de lobisomem, se ergueu na maca e logo correram as enfermeiras para lhe controlar e voltar a sedá-lo. Essa é a lembrança que Carlos tem da realização da cirurgia. Após o ocorrido, em suas meditações solitárias pensou: "Ainda bem que isso não aconteceu na hora mais sensível, quando possivelmente a equipe feminina se divertia com seus olhos que deviam estar num prato, para facilitar o trabalho".