segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Libertinagem no MST

Num desses projetos universitários de intercâmbio, João Valente se inscreveu e esperava ansiosamente a oportunidade de conviver com um grupo do movimento social que mais admirava, o MST. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra estava lutando por adquirir respeito e credibilidade junto à população em 2014, principalmente com os Liberais. Era um movimento sério em sua maior parte e buscavam a igualdade social através da distribuição de terra improdutiva (geralmente de latifundiários) para a população desprovida de terra e que queria trabalhar na terra, produzindo. João contava os dias desde 8 meses atrás, quando se inscreveu. Como um marxista convicto começou a imaginar a revolução rural, a utopia da vida campestre. Filosofia social permeou sua mente por dias.
Valente queria ver o dia-a-dia daqueles trabalhadores, daquelas pessoas simples e maravilhosas. O dia chegou e ele pegou o ônibus, percorreu mais de 500 quilômetros, Brasil adentro, pequenas cidades que resistiam ao espírito selvagem do capitalismo, que enfeitavam suas ruas com flores, que conversavam demoradamente com seus vizinhos, que saiam de casa e despreocupadamente deixavam suas portas sem trancar. João Valente chegou na cidade, desceu do ônibus e foi se informar de como chegaria ao sítio. Descobriu que havia uma van do assentamento na cidade naquele momento, descarregando produtos artesanais. Foi ao encontro deles que o receberam com muito carinho.
Ao saírem rumo ao campo João Valente sentiu a energia mudar, o silêncio chegar, a paisagem melhorou: parecia que seus olhos lhe agradeciam a vista, vales verdes; seu olfato sentia a mata cheirosa, viva. Quando chegou ao assentamento, sentiu o calor humano daquele grupo que o recebeu muito bem, com comidas produzidas por eles mesmos, com um espaço com cama, lençóis limpos, recebido como membro da família de um senhorzinho chamado Januário, que residia naquela casinha modesta, feita de madeira. Seu Januário era muito simples, criado na roça, foi tentar a vida na cidade na sua meia idade, mas foi só desilusão, sofrimento com o egoísmo que a cidade produz nos seres humanos que lá vivem, sem contar o ritmo frenético que as pessoas ignoram ser anormal.
Conviveu com eles por duas semanas, ajudando na roça, na capina, na colheita e todo tipo de trabalho realizado no meio rural. Conversava sobre o movimento, sobre o poder popular, sobre as assembleias e todo o sentimento de luta e amor ao movimento. Histórias de militantes notáveis, de situações duras e de alegria, tudo que um movimento social passa. De noite, tocavam modas no violão ao redor do fogão à lenha, foi muito agradável aqueles dias.
No mesmo período que João intercambiou no MST, outros rapazes e moças também tiveram a oportunidade daquele convívio. Valente conheceu um pessoal muito interessante, e entre eles duas garotas muito especiais e lindas. Belas e inteligentes, ele ficou apaixonado. Não demorou muito ele ficou com uma e com a outra. Elas sabiam, eram amigas. Mas isso não era problema para elas, não havia ciúmes entre elas.
Numa noite dessas João Valente agarrou Sabrina e depois de uns bons amassos, ela deu a ideia de irem pro quarto da casa, onde João dormia. Ele tentou tirar essa ideia da cabeça dela, porém não havia onde ir, e eles queriam muito consumir o ato. Não teve jeito, foi ali mesmo, com a família de Seu Januário do outro lado daquela parede fina de madeira. Todos ouviram os uivos de gozo do casal naquela noite silenciosa.
Abalado mas não derrotado psicologicamente, o casal seguiu suas tarefas e mais a noite foi a vez de Ritinha provocar João com uma pegada certeira. Com a mão cheia, Ritinha pediu pra João penetrá-la, ali mesmo, atrás das moitas, ninguém estava vendo. Ele não se conteve e mandou ver! Quando para sua surpresa, a esposa de Seu Januário, a dona Avelina viu com muito espanto aquela cena. Haja amor ao movimento!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Transando e o espírito encostando

Celso e Manú se conheceram na balada, gostavam de raves, músicas eletrônicas, tomavam LSD, êxtase, entre uma dose de vodca e outra. Como solteiros eles levavam uma vida frenética, muito agitada, com muito extravaso. Se conheceram assim, e assim decidiram ficar, estabeleceram uma parceria e não havia mentira entre eles, não havia hipocrisia, continuaram a fazer as mesmas coisas juntos. Uma vez chegaram a ir numa zona, e ambos transaram com uma garota de programa; uma vida bem livre de preconceitos. Se amaram, e de tanto amor, não conseguiam se desgrudar mais, e assim casaram. Fizeram cerimônia e tudo.
Com os anos, todo relacionamento se transforma, as pessoas se transformam, e aí surgem os conflitos. Celso passou a estudar símbolos, política, teorias da conspiração, e junto com ideias religiosas que ele tirou de sua própria cabeça, com influências cristãs e evangélicas nutridas pela família, criou suas próprias teorias. Teorias que pra ele eram leis, eram a verdade absoluta, incontestáveis. E criou-se um fanatismo religioso dele com suas próprias ideias. Manú estranhou aquilo, mas ela achou que aquela seria apenas uma de suas muitas loucuras, e que logo ele desistiria daquele pensamento. Além de ele não esquecer aquela história toda, resolveu puxar sua esposa pro buraco, e passou a pegar no pé dela, proibiu droga, bebida, balada, tudo o que ela gostava. Dizia que ela deveria buscar Deus, ser uma esposa mais dedicada, pois se continuassem naquele caminho os bons laços de família não iriam se concretizar.
Que a liberdade seja defendida e Celso tinha todo o direito de acreditar no que quisesse, afinal, todo mundo acredita em alguma coisa, mesmo que essa coisa seja não acreditar em nenhuma coisa. O problema aqui está na relação humana, relação de dominação, que nem sempre é algo consciente, nem algo com fundo de maldade. Ele gostaria de que ele e sua família acreditassem em Deus e o buscassem da mesma maneira, formando um grupo unido física e espiritualmente. Ele pensava: se termos filhos, o que lhes ensinaremos? Como os educaremos?
A verdade é que o casal começava a ter cada vez mais discórdias. Manú adorava tomar uma cervejinha depois de um dia exaustivo de trabalho e fumar um cigarrinho. Nada demais, sem extrapolar. E isso era motivo pra preocupação, pra tensão. As vezes ela fazia isso escondido, e logo depois se arrependia pensando: que absurdo eu tomar uma cervejinha de leve escondida do meu marido, parece até que eu o estou traindo. E no discurso de Celso era como se fosse traição mesmo.
Depois de uma boa discussão, vinha os pedidos de desculpa, as juras de amor e fatalmente o sexo. O sexo conciliativo tem um sabor especial, sabor de renovação de votos. E nesse calor de emoções e prazeres físicos eles partiram para um papai e mamãe apaixonado. Com voracidade e virilidade Celso assumiu seu posto por cima de Manú e depois de uma meia dúzia de estocadas sentiu algo estranho e disse pra Manú, com aparência desanimada e ao mesmo tempo alucinada: Amor, eu to sentindo algo estranho, acho que to ficando possuído. Manú perplexa pergunta: o que? Que você disse? Ele repete e completa: Acho que tem um espírito encostando em mim, tem um demônio querendo encostar em mim! Broxura instantânea. Manú ficou puta e ao mesmo tempo tinha vontade de rir. Por sua cabeça passou uma cena hilária: um triângulo amoroso deles com a tal entidade. Hilário, porém broxante.  

domingo, 30 de agosto de 2015

Chorando pelado

Andinho era um rapaz direito, cumpria com seus deveres de cidadão, de homem, não gostava de falcatrua. Andinho era homem fiel, honesto, gostava do que era certo e nem passava pela sua cabeça mentir para sua mulher. Ele trabalhou por muito tempo como comerciante na cidade, trabalhava de dia e de noite pra alcançar sua meta. Porém ele sabia que esse ritmo de trbalho, de correria, não lhe fazia bem. Não faz bem pra nenhum ser humano trabalhar mais que seis horas, muito mais pra ele que trabalhava dez horas por dia!
Camila, sua namorada, era uma moça determinada, tinha vinte e cinco anos e já possuía seu consultório de psicologia e já buscava algo melhor, com mais espaço, mais glamour para seus pacientes. Gostava de roupas de mulher mais velha, de meia idade, pois aquelas se ajustavam à sua idade, dizia. Andinho preferia que ela usasse roupas de mulher de vinte e poucos.
O casal se conhecia havia muitos anos, foram amigos de infância, e depois de anos surgiu um interesse sexual, o que os levou ao namoro. Eles se conheciam muito bem. Os pais dos dois adoraram e torciam para que o casal desse certo, com a benção de Deus. Camila, apesar de ser muito parceira, começou a plantar ideias na cabeça de Andinho, ela dizia que ele deveria ser mais centrado, mais ambicioso, subir os degrais do sucesso e das classes. Andinho começou a se encomodar com essa história, sentia de alguma forma uma ansiedade, uma pressão, que vinha mas ele não sabia como. Afinal, ele era muito bem decidido com suas ideologias. Era um rapaz trabalhador sim, e até tinha algumas ambições, porém acreditava num futuro possível onde haveria menos desigualdade, mais liberdade e mais amor. Não era certo passar por cima de ninguém pra obter vantagem financeira, isso é pros que ignoram a coletividade.
Certo dia, Andinho chegou do trabalho, tomou um belo banho quente, relaxou, depois ligou pra Camila e combinou de se encontrarem. Ele estava com saudade dela. Apesar do namoro ter começado fazia pouco tempo, ele sentia como se namorassem há muito tempo. Ele tinha boas expectativas com relação ao futuro com Camila. Jantaram juntos, conversaram e entre um folguedo e outro, foram diminuindo suas peças de roupa, até estarem como vieram ao mundo. Entre uma carícia e outra, Camila voltou a falar sobre a ascensão social necessária, e Andinho sentiu um aperto no peito, uma angústia, que foi aumentando conforme ela ia falando, sua voz se tornara chata, seu tom era estridente e antipático, Andinho não aguentou mais e se impos, disse que as coisas não eram bem assim e que ele tinha valores de homem do bem, que acreditava na evolução da consciência, onde todos se tratariam melhor e que a comunidade poderia viver uma autogestão anárquica. Camila falou duro com ele, apesar de ter aveludado a voz, ela era direta, dizia que se ele pensasse assim iria estagnar, seria passado pra trás, feito de trouxa, pois ninguém estava nessa onda dele e as pessoas eram como feras disputando carniça em meio à savana da vida. Ela falou como amiga de infância, falou com autoridade de mãe, usou de toda a psicologia possível, afinal, ele era seu principal projeto, Andinho tinha futuro, levava jeito pra negócios. Tanta pressão aliada a técnicas, levaram Andinho à um surto, onde em meio à protestos, desatou em choro. O choro foi livre. E a cena se revelou ridícula: ele e a namorada nús, e ele chorando motivado pelo uso da psicologia por sua querida. Dias depois eles terminaram o namoro.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Agricultura e Florestas – Jorge Vivan - Resenha crítica


Jorge Vina vem por meio desta obra, trazer luz para todos os interessados em agroecologia em específico agroflorestas, onde cria-se uma floresta onde as plantas nativas se misturam com as plantas alimentícias ou de alguma outra função, mas que foram introduzidas naquele espaço pela ação do homem, criando um equilíbrio daquela vegetação e natureza como um todo.
Através de pesquisas acadêmicas e dados estatísticos, Jorge mostra a possibilidade de produzir aliado com a natureza, participando do ciclo natural que vai do nascimento ao outro nascimento. Mais um aprendizado imortantíssimo para todos que militam pela preservação da natureza e que praticam a permacultura.
Segue uma resenha do livro:
“Essa é a nossa porta de entrada para o fuuro possível, onde o homem deixe de ser o sabotador de seu próprio sustento, e incorpore em sua vida diária a interação otimizada com o ambiente que nos sustenta.”
“Os colonos italianos que chegaram ao sul do Brasil, em 1885 derrubaram araucárias (Araucaria angustifolia) de mais de 3m de diâmetro e 45m de altura, visando o plantio de trigo, cujas sementes trouxeram da Itália. Na mesma área, relativa (600m2) à copa de uma dessas árvores que produzia mais de 300kg de pinhões por ano por árvore, menos de 60kg de trigo eram colhidos.”
“Em substituição ao papel de 'orquestrador' da Companhia das Índias Ocidentais do tempo das caravelas, temos os conglomerados madeireiros, o agribusiness pecuário e seus elos internacionais de mercado. Do migrante miserável ao alto executivo, a ideologia é de que é uma 'missão' dar uma 'utilidade' aos ecossistemas e 'civilizar' os indígenas. Maximizar o uso do recurso natural e acumular bens é tão natural na ideologia dessas regiões como respirar.”
“... as legislações ambientais vieram sempre após a formalização social do processo de degradação, e que o povo obedeceu às novas regras enquanto houve coerção pela força.”
“Teríamos que incluir citações como 'Maias (765 a.C.)'. Afinal, determinadas práticas de manejo agroflorestal foram herdadas deles, embora diferentes pesquisadores tenham se ocupado em relatá-las, e agricultores contemporâneos ainda as adotem.”
“... não há nada de errado com o mundo. O que esta errado é a nossa maneira de olhar para ele.”
“Resumindo, a análise histórica mostra que, mesmo tendo elementos fortes de sustentabilidade e adaptação ambiental, os sistemas agrícolas – os agroecossistemas – sempre foram muito influenciados pela ideologia dos seguimentos dominantes.”
“Portanto, encarando de frente a vida que nos envolve, como parte dela que somos e não como deuses onipotentes...”
“Em suma, não é o que queremos que as plantas e os animais nos produzam. O que comanda é o potencial inerente que todo o organismo vivo que congrega e integra plantas e animais pode produzir, e quais são os fluxos e ciclos de energia que determinam esta produção.”
“O resultado global destes preceitos é uma abordagem que procura não como intervir, mas sim, como não intervir.”
É imprescindível fazer um “...zoneamento de ambientes favoráveis às culturas que pretendemos” para não precisarmos alterar muito a natureza e geografia local.
“... bananeiras precisam de zonas de umidade constante, boa exposição solar e matéria orgânica. Isso não é encontrado dentro de uma mata primária intacta...”
“... Amaranthus spp. Essa planta cobre bem o solo e é grande recuperadora de nitratos. Enquanto não competem por luz, a alface e o amaranto são um consórcio. Quando esta competição se inicia, o manejo de 'capina' é quebrar o amaranto, de modo que os nutrientes que acumulou sejam recuperados pela alface.”
“Se quiséssemos aumentar a eficiência energética do sistema, poderíamos ter introduzido mamão ou outro cultivo apropriado de ciclo médio.”
“Por isso, mais do que nunca, é preciso entrar na mata, andar, tocar, observar e senti-la como que verdadeiramente é, ou seja, um organismo vivo e auto-regulado.”
“... quanto maior o conhecimento do histórico do local, maior será a quantidade de informações que um indicador biológico poderá fornecer.”
“... a análise das interações entre radiação, umidade e nutrientes. Essas interações determinam as características básicas da fauna e da flora.”
“ Quanto mais perto dos pólos, mais crítico é o fator radiação, através da redução de luz e calor.”
“Também aliada à umidade alta, a sombra não ajuda muito secadores solares, plantios de determinadas culturas anuais e determinadas fases de frutíferas, como a floração.”
“... o encontro entre o reducionismo e o holismo, entre o saber popular e o saber acadêmico é o caminho para se chegar a um conhecimento real dos ambientes.”
“para conhecer a natureza, devemos prestar mais atenção às formas do que ao conteúdo”.
“Quando falamos da dinâmica da sucessão natural de espécies, citamos a palavra 'consórcios' e 'consórcios dominantes' algumas vezes. Na verdade, não se trata apenas de uma sucessão de espécies, mas sim de uma sucessão de consórcios de espécies. … um consorcio de seres vivos, do nivel micro ao macro.”
“Na sequência, os cipós deslocam-se para o alto das árvores, criando uma teia de amarração que ajuda a vegetação a resistir aos vendavais e ciclones.”
“Áreas abandonadas há mais de 8 anos e que sustentam apenas samambaias e arbustos pioneiros indicam como histórico uma ação antropogênica intensa, com fogo e pastoreio... embaúbas... uma derrubada seguida de fogo com posterior abandono... solos mais férteis e úmidos... embaúba branca... embaúba vermelha... solos mais fracos.”
“... nem todas as espécies tolerarão podas anuais, mas sim deverão ser avaliadas em função da recuperação que apresentarem.”
“...a podação seletiva de indivíduos causa uma transferência progressiva da biomassa ( e consequentemente dos nutrientes) armazenados na vegetação para o solo.”
“Este é um pricípio que orienta as roças indígenas...”
“Embaúbas(Cecropia spp)... certa habilidade de rebrote enquanto juvenis e adultas. Mundururús (Melastomataceae) já são menos hábeis no rebrote... Capiangas têm grande capacidade de rebrote, assim como o Fumo-Bravo (Solanaceae)... jurubeba (Solanaceae), a candeia (conhecida como 'vassourinha' no sul do Brasil, família Compositae) são hábeis no rebrote...”
“Resumindo, o comportamento das espécies é o resultado de uma interação entre o nicho que ocupam na sucessão, e fatores de nutrientes, umidade e radiação.”
“Na Mata Tropical Úmida, quando há a ausência de um período seco previsível, o final da época dos vendavais é propícia para o manejo de áreas de mata secundária madura e mata primária...”
O manejo no período de chuvas “propicia a entrada de radiação e nutrientes numa época onde esses fatores poderiam limitar o crescimento das espécies introduzidas.”
“Em outras palavras, o produtor pode receber de 10 a 100 vezes menos do que o consumidor paga pelo mesmo produto.”
“Queremos conhecer profundamente populações e ambientes e desvendar a lógica dos sistemas, de modo a deixá-los mais afinados com os ambientes, o que pode vir a torná-los economicamente eficientes, ambientalmente sustentáveis e socialmente benéficos.”
Em terrenos como os latossolos da Mata Atlântica, qual é a agricultura que podemos praticar? “Cultivos sucessivos e consorciados que mantêm o solo coberto; rotações de cultivos com espécies ferilizadoras, introduzidas ou nativas; convivência dos cultivos com plantas nativas...”
“ ...numa área menos exposta à radiação, algumas culturas, como o feijão e o milho, podem ter dificuldades ou diminuição de produtividade.”
“Radiação. Uma exposição voltada para o noroeste aumenta significativamente a quantidade de energia radiante recebida, principalmente, em áreas declivosas.”
“Para o agricultor que planta, maneja e colhe em um sistema agroflorestal, dois fluxos são básicos: quantificar entradas e saídas, relacionadas a volume, data e natureza da atividade ou produto. Esse tipo de anotação primária permitirá traçar um perfil de consumo de capital, mão-de-obra e insumos, bem como de produtos obtidos ao longo do tempo.”
“A grande dificuldade é analisar o desempenho dos produtos item por item, uma vez que os insumos, manutenção e mão-de-obra afetam praticamente todo o sistema, não importando se ele será colhido em 3 meses ou 30 anos. De qualquer modo, os retornos proporcionados pelos produtos de curto e médio prazo podem ser relativizados aos custos integrais do sistema no período, o que dá uma relação custo/benefício do produto em relação ao sistema como um todo.”
“Não sabemos ao certo quem está derrubando nossas florestas e nem quem vai alagar nossas terras, mas sabemos que moram em cidades, onde os ricos estão ficando mais ricos, e nós os pobres estamos perdendo o pouco que temos”.
“...o tamanho ideal de cada mutirão era o que possibilitava que cada propriedade fosse visitada uma vez por mês. Todas as segundas... quatro famílias de agricultores...”
E suma, o livro traz a reflexão sobre produzir alimentos, madeira com equilíbrio e em conjunto com a natureza. E nos lembra que somos parte dessa natureza, fazemos parte dessa energia maior que rege toda a vida no universo. Nesse aspecto, não somos nem maiores nem menores que os outros seres vivos.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O vizinho estranho

Rafael era um rapaz diferente dos demais, ele gostava de fazer história na vida, viver aventuras, explorar lugares desconhecidos, gostava de se arriscar, conhecer pessoas e ao mesmo tempo preferia a solidão, fato que se consolidou quando finalmente foi morar no mato a primeira vez. O sul do Pará foi de grande aprendizado e também de desafio para aquele moço, mas agora, um pouco mais maduro, preferia gozar daquela vista das montanhas mineiras. Afinal, mosquito é mesmo o diabo.

Comprou uma pequena propriedade, e planejou construir sua casa. E enquanto isso, mantinha uma relação ítima com sua vizinha de sítio. Amizades também foram consolidadas na redondeza. Era conhecido por poucos. Quase ninguém conhecia-o por nome. Era decente, se dava ao respeito.

Além dos afazeres de sítio, sobrava-lhe tempo para vadiagens e devaneios. E em um belo dia de chuva, depois de já passados 5 dias chuvendo, cansado de ficar em casa, vestiu sua capa de chuva, do jeito que estava ( e estava só de cueca) pegou seu pifano e foi para o campo. Resolveu subir um morro e em cima de uma rocha, se soltar um pouco, relaxar.

Tocou seu pífano com muita empolgação e alegria em seu coração. Dançou, rebolou e gastou seu pulmão jovem até não poder mais. Chovia à cântaros. Os moradores da montanha temiam até uma tragédia.

Seu Zé, vizinho de sítio, saiu apressado pra acudir um casal que tinha um bebê e cuja casa ficou sem luz elétrica. Coitados, desprovidos do essencial. A galopes de cavalo descia o Seu Zé. E o que não foi sua surpresa ver seu vizinho, Sinhozinho Rafael, fazendo aquela estripulia toda, de noite, num temporal daquele.

Interior todo mundo se conhece, sabe da vida do outro e fofoca mesmo, sem um pingo de vergonha na cara. E foi o que aconteceu naquele dia, sobre o ocorrido na noite passada. O vilarejo conheceu e passou a comprimentar o mais novo morador da montanha, com um sorriso malicioso, de quem aceita mais um colega doido. Mas quem é normal?

domingo, 21 de junho de 2015

A senhora, dois amigos e a cocaína

Estava Arthur e Cleiton indo para uma festinha nas imediações da Lagoa da Conceição, quando ao passarem pelo Campeche, avistaram uma senhora, de seus 60 a 70 anos de idade, caminhando pela Pequeno Príncipe e pedindo carona, pesando pelo seu corpo cansado a gravidade, o quelhes chamou a atenção. Conversaram entre si e decidiram oferecer carona para aquela pobre senhora, que devia ser avó de muitos.

Pararam o carro, abaixaram o vidro, e ofereceram respeitosamente carona. Perguntaram para onde ela ia, e ela respondeu que iria para o Rio Tavares, caminho para eles. Ela entrou, e junto de si trazia uma sacola plástica, com algumas garrafas, que atritavam entre si e geravam aquele barulho peculiar. Arthur já olhou para Cleiton com malícia de quem desconfiava do que se tratava aquele conteúdo.

A conversa se iniciou de forma cuidadosa, se preocupavam com a segurança daquelasenhora que transitava pelas ruas às 23h de uma sexta-feira. Perguntaram onde ela gostaria de ficar e ela disse que seria ótimo ficar no posto de gasolina 24 horas do Rio Tavares. Pois talvez encontrasse com alguns conhecidos. O que aguçou a curiosidade dos dois amigos.

Não demorou muito, aquela senhora de aparência decente, e até tradicional, se mostrou atrevida. Ela perguntou o que aqueles dois estranhos iriam fazer naquela noite de inverno, o que pretendiam realizar. Eles disseram que iam se divertir, encontrar alguns amigos, ouvir um som, tomar algo talvez. Aquela senhora então tomou coragem e convidou Arthur e Cleiton para uma suruba, onde haveria alcool e cocaína. Podiam apenas se tocar, ou algo mais, sacanagem de todo tipo era permitida. Uma orgia à moda antiga (provavelmente ela era da velha guarda dos "sexualmente livres"), mas não tão antiga. Até moderna para aqueles amigos.

Uma surpresa para aqueles dois amigos nos altos dos seus 28 anos, que esperavam que sua próxima década de vida fosse trazer o sussego, que uma vida madura que fazia a promessa de trazer tranquilidade fossem elevá-los à uma posição mais sublime, de evolução; então se surpreenderam com esse mulher bem mais que madura que lhes mostrou que tudo podia ser bem ao contrário. A baixaria, a sacanagem os podia perseguir por anos, até a velhice, eternamente talvez.

Brincaram com ela, na amizade, mas ao fim recusaram, lisonjeados pelo convite. Todos somos pessoas únicas, completas e com direito à felicidade. Eles se manteram fiéis ao seu conceito de felicidade e evolução, mas entenderam e respeitaram o desejo e a liberdade de cada um ao seu limite de libertinagem. Quer viver a esbórnia? Que viva! Não interessa quem nem a idade.

Arthur ainda brincou com Cleiton, se realmente ele não se interessava na proposta. Não esta fácil encontrar propostas assim! Risos. Lição de hoje: os limites da libertinagem vão mais além da nossa imaginação. Não crie estereótipos, eles podem te enganar.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Mijando no pub

Era uma turma de amigos de anos. Estudaram o ensino médio juntos, na mesma escola, conviviam fora de sala de aula, jogavam basquete juntos, frequentavam as mesmas festas e decidiram que ao se formarem no terceirão, iriam viajar pela europa, onde morariam e trabalhariam por um tempo, ou talvez pra sempre.
Escolheram morar em Londres, no Reino Unido, já que a Libra lhes podia fornecer um melhor salário. Uns vieram diretamente do Brasil, enquanto outros vinham de outros países como os Estados Unidos e Itália. Estavam desbravando o Velho Continente, conhecendo a origem da cultura ocidental e vivenciando a juventude com festas em lugares desconhecidos.
Como muitos jovens de vinte e poucos anos, estavam experimentando seus limites físicos e morais, um aprendizado necessário que todo adulto deve ter. Esse aprendizado da vida às vezes nos cobra um preço, ou simplesmente nos dá uma lição.
E numa noite de sábado, eles decidiram testar seus nervos num pub de Londres. Juntos eles se transformavam. Começaram com uísque escocês e beberam cerveja dentre outras bebidas, e assim se foram 4 horas bebendo sem moderação.
Ao final do ritual, um funcionário inglês foi pedir que eles se retirassem, pois já estavam exaltados. Sendo que para um inglês, os brasileiros sobriamente já são exaltados, eles não receberam bem a ideia. A maioria resolveu que não iam sair. Eles eram como uma gangue, e se sentiram injustiçados e até desafiados.
Começou a intervenção dos seguranças que cairam de mão em cima deles, que respoderam no mesmo nível. A coisa ficou feia, e enquanto o pub se esvaziava, um dos amigos, movido por um litro de uísque, arrancou o pau pra fora e começou a mijar, ali mesmo, no meio do pub. Quando o segurança se deu conta do ato, agarrou ele que ainda não tinha parado de urinar, e o jogou porta afora, caindo no chão e se mijando todo.
E assim depois de ameaçarem e serem ameaçados, partiram rumo a casa, sob ameaça policial, analisando a situação, pensando em como foram imaturos, e como colocaram sua segurança e a dos outros em risco, de forma tão leviana. Em silêncio caminhavam juntos com uma sensação de prazer, cansaço e aprendizado pairando no ar.