Bavardage va et vient
Et notre vie se passe sans on réaliser
Peu-être les allées et venues de certains déjà vus
Les zig-zags de la mémoire
Les zig-zags sans voir les heures
La vie va passer et elle ne t'attendra pas
J'aprécie le longtemps
Que ne veut pas se précipiter
Jour va, Jour vient
Routine Loin de moi de ce que je devrais être
Pages répétées de la même histoire
Remplis-moi le jour de choses égales
Música: Cleison Monteiro e Rodrigo Montoro
Letra: Augusto Coelho Neto
sábado, 22 de junho de 2013
sábado, 18 de maio de 2013
A contribuição do protestantismo para o fortalecimento do sistema capitalista
O protestantismo teve papel importante no desenvolvimento e fortalecimento do capitalismo. Martinho Lutero pregou a interpretação pessoal da leitura da Bíblia, pregou a independência espiritual do ser-humano, onde ninguém necessitaria recorrer à algum sacerdote ou instituição religiosa para obter perdão de seus pecados e a salvação de sua alma.
João Calvino desenvolveu a idéia da salvação predestinada, ou seja, que a pessoa ja nascia para ser salva ou para ir para a perdição eterna, e que o sinal que diferenciava os salvos e os condenados era a sua condição social. Se fosse rico seria salvo, senão a destruição eterna o aguardava. Essa idéia agradou muito a burguesia, e estimulou a busca por enriquecimento e acúmulo de riquezas. Atualmente essa admiração pela riqueza, pela condição social do rico, se desprendeu do protestantismo e incorporou-se no sistema capitalista, sistema esse que apóia o acúmulo de bens e o consumo desenfreado independente de religião.
O lucro, o juros, a exploração da mão-de-obra do trabalhador passam a não serem mais mal-vistos, e o convívio cotidiano com essas práticas não pesaram mais na consciência da população desde então.
Max Weber escreveu uma tese dizendo que o desenvolvimento econômico dos países ocidentais está atrelado à ética do protestantismo. Ele afirma que os países que adotaram o protestantismo, foram os que mais rápido se desenvolveram na lógica capitalista de produção, e que os levaram a serem potências econômicas na atualidade. Já os países que permaneceram católicos não se desenvolveram tanto, localizando-se na periferia do sistema capitalista contemporâneo. Podemos afirmar mesmo após posteriores controvérsias, que existe sim uma influência do protestantismo no espírito capitalista, visto suas crenças e a grande influência que esses dogmas exercem sobre os fiéis.
A Contra-Reforma, movimento de resposta e ataque ao protestantismo pela Igreja Católica, também ajudou a fortalecer o sistema capitalista, pois com o objetivo de conquistar novos fiéis, incentivou e investiu nas navegações ultra-marinas, promovendo comércio internacional e exploração de mão de obra. Levou junto com a religião, ideais europeus, sendo o modelo econômico um deles.
O espírito individualista que o protestantismo trouxe, promoveu a liberdade do indivíduo, onde a pessoa podia ter sua religião, seus ideais, sua forma autêntica de ver e interpretar a vida, e ser respeitado por isso. Esse respeito pela liberdade (incluindo liberdade de comércio) foi um chamariz para a burguesia que era pressionada em países católicos, onde suas práticas não eram bem vistas. Alguns poderosos homens de negócio da Europa se refugiaram em países protestantes por serem eles um ambiente mais seguro, onde puderam ampliar e fixar seus negócios com tranquilidade.
terça-feira, 12 de março de 2013
Microfísica do Poder – fichamento crítico
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O filósofo Michel
Foucault divaga sobre alguns assuntos ligados à história das
ciências, sendo algumas delas a história da medicina urbana, dos
hospitais, dos manicômios, dos cemitérios, enfim da história do
saneamento no meio urbano, tudo isso como interesse da burguesia.
Foucault discorre sobre
a malha do poder, que não significa exatamente poder vindo do
Estado, mas que parte de cada um de nós seres humanos, esses poderes
não estão localizados em nenhum ponto específico da estrutura
social. O que existem são práticas ou relações de poder. Ele
relata que na ótica do direito que o poder é concebido como
violência legalizada. Ele fala também sobre a teoria do controle,
onde a população de forma geral é que vigia umas as outras para
que as coisas ocorram conforme o esperado. O poder é produtor de
individualidade. Todo saber é político e tem sua gênese em
relações de poder.
Foucault critica
duramente a psiquiatria, pois ela nasceu de uma tentativa de afastar
os ditos “doentes mentais” da cidade. Sendo que a própria
psiquiatria que “cria” a doença mental. É facil mostrar como se
torna obrigatório desfazer-se do louco justamente porque ele é
inútil na produção industrial.
Comenta que a figura do intelectual
específico se desenvolveu a partir da Segunda Grande Guerra. Na
atualidade, vivemos o desaparecimento do “grande escritor”. Os
problemas políticos dos intelectuais são em termos de
“verdade/poder” e não em termos de “ciência/ideologia”.
A humanidade, conforme Foucault, instala
cada uma de suas violências em um sistema de regras, e prossegue
assim de dominação em dominação. O domínio das regras é o
segredo do grande jogo da história. O europeu não sabe quem é ele:
ele ignora as raças que se misturam nele. Fala-se raramente sobre a
história da justiça, da prática judiciária, do que foi
efetivamente um sistema penal, do que foram os sistemas de
repressão. Toda a repressão a vagabundos, ociosos, mendigos desde o
fim da Idade Média até o século XVIII era com intuito de
aprisionar e leva-los ao trabalho forçado, já com os “violentos”
da plebe, os que estavam mais prontos a passar à ação imediata e
armada, pessoas que nos dias de motim traziam armas e fogo esses eram
presos com o intuito de isola-los para que não servissem de ponta de
lança aos movimentos de resistência popular. Hoje essa plebe não
proletarizada é usada pela burguesia como soldados, policiais,
traficantes, pistoleiros e utilizados na vigilância e na repressão
do proletariado. O primeiro erro das associações operárias foi ter
excluído a massa dos operários não especializados através da
condição imposta que para aderir à associação pertencer a uma
profissão. Não é com ideias que se faz avançar a história, mas
com uma força material, a do povo que se reunifica nas ruas. Os
milhões de vagabundos que existiam na China semi-colonial e
semi-feudal, foram a base do primeiro Exército Vermelho. Nossa
ideologia moral é a ideologia burguesa que é reafirmado e
reconfirmado pelas sentenças dos tribunais.
O intelectual, diz Foucault, era
aquele que dizia a verdade àqueles que não a viam e em nome
daqueles que não podiam dizê-la. As escolas se parecem um pouco com
as prisões, as fábricas se parecem muito com as prisões.
Designar os focos,
denunciá-los, falar deles publicamente é uma luta, forçar a rede
de informação institucional, nomear, dizer quem fez, o que fez, é
um primeiro passo para outras lutas contra o poder.
O corpo é uma
realidade bio-política, completa Foucault. A medicina é uma estratégia bio-política.
Na França as
estatísticas de nascimento e mortalidade e, na Inglaterra, as
grandes contabilidades de população aparecem no século XVII. O
nascimento da prisão foi em fins do século XVIII. A constituição
das ciências humanas foi no século XIX.
Sobre os cemitérios,
Foucault relata a história do “Cemitério dos Inocentes” situado
no centro de Paris, onde o amontoamento de cadáveres passou dos
limites dos muros e caiam em volta, no quintal de casas vizinhas.
Somente em 1780 foi que ocorreram as primeiras emigrações de
cemitérios para a periferia da cidade, aí que surge o cemitério
individualizado, o caixão individual.
Os matadouros que
também estavam situados no centro de Paris foram colocados nos
arredores.
Em meados do século
XVIII, que o subsolo passou a pertencer ao rei, ao Estado, e não
mais ao proprietário do terreno.
A noção de
salubridade surgiu pouco antes da Revolução Francesa.
A partir de 1832, Paris
passou a dividir bairros de ricos de bairros de pobres.
Reaparece no século
XIX, grupos de dissidência religiosa, que tem por objetivo lutar
contra a medicalização, reivindicar o direito sobre seu próprio
corpo, o direito de viver, de estar doente, de se curar e morrer como
quiserem.
Foucault relata que o médico que as
comunidades religiosas chamavam para fazer visitas aos hospitais era,
geralmente, o pior dos médicos. Percebemos que a característica em
comum entre essas instituições (escola, usina, hospital) é uma
separação decidida entre aqueles que têm o poder e aqueles que não
o têm.
A prisão, diz Foucault, foi um grande
instrumento de recrutamento. A pessoa entrava na prisão e se tornava
infame e quando saía, não podia fazer nada senão voltar a ser
delinquente. Virava um proxeneta, um policial ou um alcaguete. A
prisão profissionalizava.
A polícia, aponta Foucault, precisa dos
delinquentes para sobreviver, do contrário não aceitaríamos esta
gente uniformizada, armada, enquanto nós não temos o direito de o
estar, que nos pedem documentos, que vem rondar nossas portas.
"O poder enlouquece, os
que governam são cegos. Somente aqueles que estão à distância do
poder, que não estão em nada ligados à tirania, fechados em suas
estufas, em seus quartos, em suas meditações, podem descobrir a
verdade."
A geografia se
desenvolveu à sombra do exército. Os geógrafos do século XIX eram
agentes de informações, informações que eram diretamente
exploráveis pelas autoridades coloniais, os estrategistas, os
negociantes ou os industriais.
Foucault continua, dizendo que as lutas políticas, os
confrontos a respeito do poder, com o poder e pelo poder, tudo isso
deve ser interpretado apenas como continuações da guerra, como
episódios, fragmentações, deslocamentos da própria guerra. O
poder não para de registrar e institucionalizar a busca da verdade,
profissionaliza-a e a recompensa. A produção de discursos
“verdadeiros” (e que, além disso, mudam incessantemente) é um
dos problemas fundamentais do Ocidente. O poder não se aplica aos
indivíduos, passa por eles.
O saber sociológico se
constitui sobretudo em práticas como a dos médicos.
"Seu problema não era
fazer com que as pessoas fossem punidas, mas que nem pudessem agir
mal, de tanto que se sentiriam mergulhadas, imersas em um campo de
visibilidade total em que a opinião dos outros, o olhar dos outros,
o discurso dos outros os impediria de fazer o mal ou o nocivo."
Foucault ouve um
“sussurro anti-sexo” vindo por aí. Para um sistema que se
preocupa com produção e consumo, sexo é uma perda de tempo.
Para resistir, Foucault segreda, é
preciso que a resistência seja como o poder. Tão inventiva, tão
móvel, tão produtiva quanto ele. Que como ele, venha de “baixo”
e se distribua estrategicamente.
Houve um momento em que
a loucura deixou de aparecer como a máscara da razão, e foi
inscrita como um Outro prodigioso mas presente em todo homem
razoável, detendo uma parte, talvez o essencial, dos segredos da
razão.
Crítica à Maquiavel:
ser hábil em conservar seu principado não é de modo algum possuir
a arte de governar. Um bom governante deve ter paciência, soberania
e diligência. Deve ser mais paciente que colérico. Deve ter o
conhecimento das coisas, dos objetivos que deve procurar atingir e da
disposição para atingi-los. O governante deve ser como o pai de
família, que é o que se levanta antes das outras pessoas da casa,
que se deita depois dos outros, que pensa em tudo, que cuida de tudo
pois se considera a serviço da casa.
A família como modelo
de governo vai desaparecer. A família em seu formato tradicional
esta desaparecendo.
Por todas essas idéias que Michel Foucault continua sendo tão geniais e contemporâneas.
Por todas essas idéias que Michel Foucault continua sendo tão geniais e contemporâneas.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Sobre os principais impactos da Reforma Protestante para a formação da sociedade moderna
A Reforma
Protestante teve grande influência na formação da sociedade moderna.
Comecemos pela economia, que foi influenciada a seguir o caminho burguês, já
que que se ganhou a liberdade com relação ao domínio católico de Roma, e com os
ideais de predestinação de Calvino, onde os escolhidos de Deus, os que seriam
salvos, eram os que possuíam condição social de riqueza, sendo os mais ricos,
os abençoados financeiramente aqui nessa vida, os eleitos do Senhor, havia um incentivo em acumular riquezas, propriedades, explorar a mão de obra
trabalhadora. Mais tarde essa valorização da condição social com base no
acúmulo de riquezas, seria incorporado ao sistema capitalista, independente de
fé ou religião. O lucro e os juros passam a serem bem vistos e incorporados no
dia-a-dia do comércio, sem peso na consciência com relação ao Juízo Final.
Max Weber produz uma tese onde o desenvolvimento
econômico dos países ocidentais está aliado à ética do protestantismo. Ele
afirma que os países que adotaram o protestantismo, foram os que mais rápido se
desenvolveram na lógica capitalista de produção, e que os levaram a serem
potências econômicas na atualidade. Ele continua dizendo que já os países que
permaneceram católicos não se desenvolveram tanto, localizando-se na periferia
do sistema capitalista contemporâneo. Apesar das posteriores controvérsias, existe
sim uma influência do protestantismo no espírito capitalista, visto suas crenças
e a influência que elas exercem sobre os fiéis.
O impacto sobra a política se dá na concretização do
absolutismo, onde os governos livres da intervenção de Roma, tinham o domínio
total sobre seu Estado e podiam cobrar impostos livremente, impostos estes que
aumentaram graças ao desenvolvimento do comércio. O Governo da Inglaterra, por
exemplo, passa a ter domínio até mesmo sobre a igreja (Igreja Anglicana). Outro
fato importante é que os feudos que pertenciam à Igreja Católica na Inglaterra
passaram a pertencer ao Estado.
A Contra Reforma, movimento de resposta e ataque ao
protestantismo pela Igreja Católica, também trouxe impacto para a formação da
sociedade moderna, pois com o objetivo de conquistar novos fiéis, incentivou e
investiu nas navegações ultramarinas, trazendo essa influência europeia para o
Novo Mundo.
A educação foi influenciada pela Reforma Protestante
também, pois incentivava-se a leitura da Bíblia à todas as pessoas, pois a
interpretação das Escrituras sagradas era pessoal. Muitas pessoas passaram a
serem alfabetizadas a partir de então. Sem contar que a imprensa ganhou muito
com a publicação de artigos religiosos e com a publicação da Bíblia, o livro
mais vendido por séculos.
Augusto Coelho Neto
Augusto Coelho Neto
A maximização do individualismo
Um contraponto marcante entre o modelo europeu de
sociedade medieval e o novo modelo que surge no pós-renascimento é a
maximização do individualismo.
No modelo europeu de sociedade medieval as pessoas viviam em grupos, os feudos. A
população trabalhava em equipe, dividiam a mesma fé. As obras artísticas eram
anônimas pois considerava-se toda produção artística como sendo
responsabilidade de Deus. Na sociedade feudal existiam as classes hereditárias
(nobreza, clero e servos) em que nascia-se nela e morria-se nela, sem
possibilidade de mobilidade social. A pessoa necessitava do intermédio da
igreja para que pudesse ter a salvação eterna (confissão dos pecados e
pagamento de indulgências).
Com o Renascimento a sociedade se individualizou. O
indivíduo podia escolher se ficava no meio rural ou se viveria nas cidades,
comercializando, produzindo. Podia escolher um ofício, escolher sua religião. A
salvação passa a ser pessoal, independente de igreja ou outra instituição, a
relação espiritual passa a ser da pessoa diretamente com Deus. Agora podia-se
assinar sua produção artística e realiza-la com maior independência e liberdade
(hoje temos os direitos autorais, as patentes). A qualidade de vida não mais
era responsabilidade de sua classe hereditária. Passava a ser atributo do homem
todos os frutos do sucesso ou fracasso de sua obra. Podemos constatar na
atualidade inúmeros processos jurídicos envolvendo engenheiros, médicos entre
outros profissionais por obras ou serviços mal realizados.
A burguesia alimentou e alimenta em muito o
individualismo dentro do sistema capitalista. Para a alta burguesia dentro do
capitalismo industrial e financeiro, o individualismo que lhes interessa é o
individualismo que aliena, que enfraquece a classe mais explorada, o
proletariado. Nasceu o trabalho
especializado e específico, que não poupou nem a produção intelectual. O
artesão que conhecia todo o processo de produção de seu artefato, se tornou
pouco a pouco um trabalhador alienado, que só sabia fazer uma parte do processo
de produção. Com grande parte da
população individualizada e alienada, podia-se fazer com que ela trabalhasse
mais (tendo menos tempo para se informar, para congregar-se), produzisse mais,
por menores salários, e sem voz (Napoleão chegou a proibir a formação de
sindicatos e greves com o Código Civil Napoleônico), já que os meios de
produção e os bancos agora pertenciam à poucos homens poderosos.
Podemos concluir que o individualismo que se
acentuou no pós-renascimento foi benéfico em partes e pode ser perigoso em
outras, principalmente quando se alimenta a idéia de “que nessa vida é cada um
por sí”. Cabe à sociedade perceber e diagnosticar as dificuldades de se viver
em paz e com qualidade de vida.
Augusto Coelho Neto
Augusto Coelho Neto
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A Disneylandia Sul Americana
Quem já fez a viagem
Brasil-Bolívia-Perú sabe do que se trata. Infelizmente Matchu
Picchu se transformou em uma Disneyandia Sul-Americana. Um lugar que
é conhecido por sua história antiga e de resistência, é um local
importante de visitantes esotéricos, que é tido como um patrimônio
da humanidade, hoje é usado como fonte de lucro para o governo do
Perú. Em Cusco, Lima, já podemos ver que esse é o principal
chamariz de turistas e o principal alvo do marketing peruano, estatal
ou privado.
Em Matchu Pitcchu,
atualmente, existem duas formas de se chegar lá: de minivan até a
hidroelétrica e depois a pé até Aguas Calientes por mais duas
horas e meia ou de trem partindo de Cusco ou partindo da
hidroelétrica. Aguas Calientes é um vilarejo que foi construído
como sede e suporte para as pessoas que vão visitar Matchu Picchu. O
trem é caro, voltado para o novo mercado que se abriu de ricos
“aventureiros”. Os mochileiros aos poucos vão perdendo espaço
para os clientes de pacotes turísticos caríssimos.
Opções são criadas
para que os ricos possam “desfrutar” das ruínas do império
Inca, como minivans que sobem a cada cinco minutos até na entrada
das ruínas, que ficam em cima de uma montanha. Ainda existe o
caminho tradicional que era percorrido pelos Incas que subiam a pé
até no cume da montanha. São uma hora e meia de subida por
escadarias de pedra, quarenta minutos para descer. É triste ver que
a experiência Inca tem sido sufocada pelo capitalismo. As pessoas
vão de trem, se hospedam em hotéis de luxo e sobem a montanha de
minivan, muitos nem conversam com os locais.
A entrada no parque
arqueológico é caríssima e é somente paga em dinheiro vivo.
Dinheiro vivo é outro grande problema que brasileiros enfrentam no
Perú. Infelizmente os bancos do Perú possuem más relações com o
bancos do Brasil (não sei se é somente os bancos), e por isso
existe dificuldade para sacar dinheiro: as vezes sai, as vezes não.
No Perú existe uma resistência ao uso do cartão de crédito. Dizem
que as taxas são altíssimas 10 a 15% e muitas pessoas nem saber
usar a máquina.
A experiência de
visitar outro país é riquíssima, aprende-se muito com a cultura,
com a história, é muito bacana admirar as paisagens, plantas e
animais locais diferentes, e é uma pena que o capitalismo force uma
situação que nos deixa uma má impressão do país. Rico: vá
esbanjar seu dinheiro em Miami, Beverly Hills ou outro centro de luxo
capitalista, não deturpe o que nos resta de interessante!
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Sobre as limitações em exercer talentos
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É frustrante analisar
o cenário global da humanidade em nossos dias e perceber como
estamos cada vez mais nos limitando em relação à campo de trabalho
e produção. Os filhos estão cada vez mais atuando na área de
trabalho dos pais, parentes, amigos. Raro é ver pessoas que não
possuem Q.I. (Quem Indica) trabalhando e produzindo na academia, ou
reconhecido nacionalmente (quem dirá internacionalmente) na área
artística, trabalhando em televisão, atuando na política. Além de
vergonhoso é muito preocupante nosso destino como sociedade: para
onde iremos se continuarmos nesse ritmo?
O real sentido da
ciência (trazer bem estar para a humanidade e o planeta) já deixou
de ser o objetivo da academia. Hoje busca-se sobretudo realizações
vaidosas, enaltecimento pessoal, troca de influências, lucro. E o
que dizer dos artistas reconhecidos? Cada vez menos criativos,
provavelmente pela pouca rotatividade de artistas. Os filhos vêm da
mesma corrente musical, literária, teatral dos pais geralmente, o
que faz com que haja repetição e produção de obras parecidas.
Reparemos nas pessoas que trabalham na televisão, melhor, reparemos
naquela pessoa que é tão sem graça, que nos indagamos porquê ele
está ali: com certeza ele tem as "costas quentes".
A política já é uma
velha conhecida pela continuidade hereditária e fortes influências
de Q.I., isso explica a falta de inovação em soluções sociais em
nosso país: fora exceções, filho de rico que sempre viveu
luxuosamente às custas de dinheiro público, pouco interesse tem na
classe trabalhadora e nos pobres.
Não podemos nos
acomodar com essa situação decadente. A sociedade perde muito com
isso. Pessoas com talentos incríveis sendo marginalizadas, sendo
desestimuladas, enquanto outras pessoas nem tão talentosas assim são
glorificadas por possuírem “bons contatos”. É imprescindível
que a pessoa tenha a oportunidade de exercer seu dom, fazer o que
gosta, ser reconhecida pelo que é.
Busquemos soluções
viáveis para nossa sociedade, um trabalho feito realmente de
coração. Quando alguém faz o que gosta, a sua produção é cheia
de energia boa, a qualidade é bem maior, e ela se sente muito mais
feliz. Lutemos contra essa tendência limitadora em exercer talentos
na sociedade.
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