quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Polução Noturna
Gerson, André e Rafael eram grandes amigos e dividiam casa durante os anos de faculdade. Se conheceram no início da faculdade e logo firmaram parceria. Durante três anos moraram juntos e viveram algumas aventuras, dentre elas esta.
Viajaram à Rondônia onde passaram alguns dias com uma tribo indígena, tribo que conheceram através do filho do cacique, que estudava com eles. Na tribo puderem ter uma vivência incrível, pescar e caçar com os indígenas e participar de rituais religiosos como o da Ayuasca. Aprenderam a fabricar utensílios com palha, fabricar arco-e-flecha, se orientar pelo sol, fabricar canoas e jangadas, assim como outras importantes técnicas de sobrevivência. Foi um aprendizado mais que terreno,
foi espiritual.
Gerson e Rafael comentavam sobre as mulheres do norte e até mesmo sobre a indias, André sorria e mudava de assunto, sempre mantendo o foco na espiritualidade. Dizia que se o sexo for tratado de forma banalizada, seria mais prejudicial que benéfico para o ser humano. Sodoma e Gomorra são testemunhas. Temos que resistir contra a Babilônia e os babiloucos.
Voltando de viagem eles tiveram que encarar quilômetros de estrada de terra, pedindo e pegando carona em um lugar longínquo, onde o "filho chora e a mãe não escuta". Quando chegaram em certo ponto da viagem, pegaram um ônibus, como aqueles que ainda se vê na Bolívia, que não possuem banheiro. André não se masturbava por motivos espirituais pessoais. Ele havia explicado para os amigos o porque que nos últimos meses tinha se afastado das mulheres: estava praticando a
castidade para elevação do espírito, para uma melhor energização, para manter o foco em seus estudos e meditações espirituais, o que vinha ocorrendo com total sucesso. Voltando ao ônibus, nossos três mosqueteiros da Amazônia iam dormindo pela madrugada a fora, enquanto aquela engenhoca ia rodando estrada a dentro, de repente André passou a ter sonhos eróticos, desses que a gente não escolhe ter e que revela nossos desejos mais carnais e proibidos, e não podendo
resistir, deu-se início à sua polução noturna, que é a ejaculação espontânea durante o sono, algo natural que ocorre quando não se esvazia nunca o escroto. O próprio corpo decide fazê-lo mesmo contra a vontade do consciente.
André acordando assustado e já ejaculando nas calças, pensou em correr para o banheiro, que nesse caso não existia. Teve a ideia brilhante de ejacular pela janela do ônibus, porém Gerson dormia o sono dos anjos ao lado dela e seria realmente desagradável acordar com respingos de sêmen no rosto, por mais que estivesse calor naquele dia. Rafael dormia no banco de trás do Gerson com sua boca escancarada. E numa atitude desesperada resolveu ejacular no chão do ônibus mesmo, no corredor, onde e do jeito que dava. Arrancou seu pênis para fora e deixou sair o fluído que tanto almejava a liberdade. Gozou. Quando se aliviou, olhou para frente e para sua surpresa havia uma garotinha de uns 10 anos no máximo assistindo aquele espetáculo. E o que fazer?! Já havia acontecido. André recolheu seu órgão genitor e suavemente se pôs a dormir, com sua mente e aura imaculadas.
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Angelologia – o conhecimento dos anjos (Resenha crítica)
Danielle Trussoni criou um romance, onde os personagens da trama são angelólogos ou estudantes de angelologia. A angelologia é o estudo dos anjos, uma ramificação da teologia, que estuda esses seres extraterrestres, como se comportam, sua hierarquia, sua história na Terra, sua formação física, etc.
A autora descreve o ambiente do convento de Santa Rosa, nos EUA, e Universidade de Angelologia que a Igreja Católica mantém em Paris, na França, os professores, a história que a angelologia teve dentro da Igreja Católica, entre outros fatos e relatos históricos de expedições.
A mescla de romance e de fatos reais e históricos é algo que contagia o leitor interessado em angelologia, ocultismo e teorias da conspiração.
Os anjos rebeldes, depois de serem expulsos do convívio com o criador, vieram viver no planeta Terra, e depois de observarem “as filhas dos homens” se sentiram atraídos por elas e tiveram filhos com elas. Dessa união, surgiram os Nefilins, que são meio humanos, meio anjos. O criador se indignou com esse feito e mandou o Dilúvio para que esses seres fossem destruídos. O que não ocorreu graças à um Nefilin que se infiltrou na arca.
O criador prendeu esses anjos rebeldes no fundo de uma gruta num lugar longínquo para que ali eles esperassem o julgamento final. O anjo Miguel teve pena do sofrimento e dos gritos de lamentação desses anjos presos, também chamados de Vigias. E para amenizar esse sofrimento ele entregou a eles uma lira celestial, para que tocassem, cantassem e diminuíssem sua condição de sofrimento. Não foi uma boa ideia. Pois a Lira era poderosa e podia ser utilizada para o mal.
Houve tentativas de buscar essa Lira das mãos dos Vigias. E uma delas foi a expedição do Padre Clematis, também angelólogo, que lutou com um anjo Vigia e morreu, mas não sem antes relatar e deixar por escrito sua aventura.
A angelologia se baseia bastante no apócrifo Livro de Enoque, que dizem ter sido escrito pelo patriarca Enoque que veio depois de Adão e antes de Noé. Ele é citado na bíblia, Livro do Gênesis, escrito por Moisés, como sendo um homem que teve relação estreita com o Criador, viveu como Ermitão por anos sozinho na mata, e foi arrebatado aos céus sem conhecer a morte.
Os Nefilins dominaram e dominam nosso planeta. Por serem meio humanos e meio anjos, e sendo superiores conquistaram todos maiores negócios da Terra: bancos, indústria petroleira, as maiores agências de mídia, etc. Dizem que os nefilins podem ser os próprios Illuminatis.
Os angelólogos da trama são como agentes de um grupo secreto que busca destruir os planos dos Nefilins e enfraquecê-los através de planos estratégicos e até assassinatos.
O romance esta repleto de curiosidades sobre os anjos e sua ligação com a história da Terra, cita muitos estudos feitos pela Igreja Católica, e numa combinação de verdades e ficção, torna a leitura suave e agradável.
É possível serem os “Extraterrestres” do qual falamos, vemos, serem os anjos bíblicos? Qual a relação entre eles? Qual a verdade por trás de todas estas instituições que só fazem manipular os dados e escrituras sagradas a favor dessa “elite” suspeita?
A autora descreve o ambiente do convento de Santa Rosa, nos EUA, e Universidade de Angelologia que a Igreja Católica mantém em Paris, na França, os professores, a história que a angelologia teve dentro da Igreja Católica, entre outros fatos e relatos históricos de expedições.
A mescla de romance e de fatos reais e históricos é algo que contagia o leitor interessado em angelologia, ocultismo e teorias da conspiração.
Os anjos rebeldes, depois de serem expulsos do convívio com o criador, vieram viver no planeta Terra, e depois de observarem “as filhas dos homens” se sentiram atraídos por elas e tiveram filhos com elas. Dessa união, surgiram os Nefilins, que são meio humanos, meio anjos. O criador se indignou com esse feito e mandou o Dilúvio para que esses seres fossem destruídos. O que não ocorreu graças à um Nefilin que se infiltrou na arca.
O criador prendeu esses anjos rebeldes no fundo de uma gruta num lugar longínquo para que ali eles esperassem o julgamento final. O anjo Miguel teve pena do sofrimento e dos gritos de lamentação desses anjos presos, também chamados de Vigias. E para amenizar esse sofrimento ele entregou a eles uma lira celestial, para que tocassem, cantassem e diminuíssem sua condição de sofrimento. Não foi uma boa ideia. Pois a Lira era poderosa e podia ser utilizada para o mal.
Houve tentativas de buscar essa Lira das mãos dos Vigias. E uma delas foi a expedição do Padre Clematis, também angelólogo, que lutou com um anjo Vigia e morreu, mas não sem antes relatar e deixar por escrito sua aventura.
A angelologia se baseia bastante no apócrifo Livro de Enoque, que dizem ter sido escrito pelo patriarca Enoque que veio depois de Adão e antes de Noé. Ele é citado na bíblia, Livro do Gênesis, escrito por Moisés, como sendo um homem que teve relação estreita com o Criador, viveu como Ermitão por anos sozinho na mata, e foi arrebatado aos céus sem conhecer a morte.
Os Nefilins dominaram e dominam nosso planeta. Por serem meio humanos e meio anjos, e sendo superiores conquistaram todos maiores negócios da Terra: bancos, indústria petroleira, as maiores agências de mídia, etc. Dizem que os nefilins podem ser os próprios Illuminatis.
Os angelólogos da trama são como agentes de um grupo secreto que busca destruir os planos dos Nefilins e enfraquecê-los através de planos estratégicos e até assassinatos.
O romance esta repleto de curiosidades sobre os anjos e sua ligação com a história da Terra, cita muitos estudos feitos pela Igreja Católica, e numa combinação de verdades e ficção, torna a leitura suave e agradável.
É possível serem os “Extraterrestres” do qual falamos, vemos, serem os anjos bíblicos? Qual a relação entre eles? Qual a verdade por trás de todas estas instituições que só fazem manipular os dados e escrituras sagradas a favor dessa “elite” suspeita?
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
O Sagrado e as construções de mundo - fichamento crítico
Esse livro é a reunião de vários artigos que professores de "Ciências da Religião" da Universidade Católica de Goiás escreveram como roteiro para aulas de introdução à teologia na universidade.
"Dá-se mais atenção à investigação científica, que se volta à tecnologia de ponta, do que à própria adequação desta aos valores humanos e aos direitos da pessoa."
"Eu sou eu. Só posso ser eu. Só quero ser eu. Você é você. Só pode querer ser você. De nada adianta querer imitar os outros, pois, ao fazê-lo, perdemos nossa autenticidade. O melhor é a gente querer ser o que é, aceitar-se como se é. Somos todos diferentes. Procure ser você, apenas você. Deixe que os outros sejam como são. Não é bom que as pessoas sejam diferentes umas das outras? É muito melhor. Não é verdade? Pensar assim, revela uma mente aberta à realidade, mais acolhedora e compreensiva (NOVAIS, 1994, p.13, 24)."
Toda pessoa decente zela pelo seu nome.
O nome define a função, o trabalho que a pessoa deve desempenhar no plano do Reino de Deus.
"O amor a si mesmo é prioritário, é o começo de tudo. Quem não se ama, não é capaz de amar alguém, nem merece ser amado."
"Quem não se ama espalha, dispersa tudo para longe de si."
"Saber conviver com a diferença é sinal de saúde psicológica e espiritual, porque quem preza a própria liberdade respeitaa liberdade do outro em sua diferença e até se alegra com ela."
"... verdade flui de várias maneiras - por manifestações culturais, sociais - e passa, necessariamente, por muitíssimos tipos de leituras, visto que "os nossos ângulos de ver a Verdade ainda não é a Verdade Toda..."
Não é possível ter uma compreensão de Deus por meios racionais e lógicos "O indivíduo deve participar de Deus".
Concluímos que o processo da influência é incosciente em ambas as partes. O processo de imitação desenvolve-se como parte da participação mística."
Não é tão simples como muitos querem pensar, pois não precisamos apenas de comida e bebida, contatos físicos e relações sociais, mas precisamos também descobrir o sentido da nossa vida.
Se as forças sobrenaturais são ou não são verdadeiras não é importante.
"Os artistas, nessa ânsia de entender o mistério da vida, deixam-nos em suas pinturas, estátuas, poesias, textos e músicas, caminhos possíveis para outros que se debatem na mesma busca e com as mesmas perguntas para compreendereem Deus."
"Com nossa inteligência e imaginação podemos voar longe, sonhar um mundo fantástico, visitar outros lugares, criar situações, mergulhar na vastidão da imaginação. É a capacidade de 'transcender-nos'. Os filmes, por exemplo, são terrenos privilegiados da criatividade e da fantasia humanas, tanto é que saindo de uma sala de cinema tem-se a sensação de se ter vivido uma experiência fantástica que provoca um pequenos choque com a realidade cotidiana."
"Nesta busca de respostas e de sentido, o ser humano fazendo uso de sua capacidade de transcender-se, se abre ao 'Transcendente', como ser superior, imortal, divino, que está no início e no fim de tudo. Na história da humanidade, a crença num ser transcendente, criador e mantenedor da ordem cósmica é atestada nos mitos de origem em praticamente todas as religiões. Ele pode ser definido como o Bem, a Ordem, a Providência divina, a Perfeição, a Vida, a Causa Primeira, Deus
etc. A ideia fundamental, porém, é a mesma: trata-se do princípio infinito que está na origem da vida do universo, de sua conservação e ordem, para o qual tudo está orientado no futuro. Pela filosofia tal conceito é definido como 'causa não causada' (Tomás de Aquino), ao passo que para a teologia é um ser transcendente: Deus."
"... um ser perfeito não pode criar outro ser perfeito,porque estaria criando a si mesmo."
Os três elementos básicos que formam uma religião: "um corpo doutrinal sólido, um conjunto de ritos e um grupo sacerdotal responsável pela tradição, interpretação e pelo correto ' funcionamento' da estrutura.”
“ A teologia pressupõe a experiência religiosa e a fé.”
“A teologia se baseia na revelação de Deus que pode ser natural (na criação), ou sobrenatural (história sagrada, tradição oral e escrita, profetas, Jesus etc).”
“... para a ciência, a verdade é o ponto final de um procedimento metodológico; para a Teologia, a verdade nos procede e transcende, podendo ter acesso a ela somente por revelação e pela fé”
“ A experiência religiosa, quando lida pelo enfoque da razão, torna-se objeto de estudo e investigação das várias ciências humanas, como a Antropologia, a Sociologia, a Historiografia, a Psicologia etc.”
A religião é um dos ingredientes da cultura de um povo pois ela é a busca dos significados e respostas às perguntas profundas.
“ A religião não é patrimônio exclusivo das igrejas. É fruto da história dos povos e a eles pertence como um dos elementos mais significativos e importante de suas culturas; porque ela, antes de ser a estruturação de certa experiência religiosa é, e representa, o anseio humano de se transcender e de se encontrar com aquele Ser, no qual a humanidade encontra as respostas às suas perguntas profundas”
“mito é um relato de um acontecimento originário, no qual os Deuses agem e cuja finalidade é 'dar sentido' a ua realidade significativa” (CROATTO, 2001, p.209)
“O vinho consagrado, mesmo sendo sangue de Cristo, pode embebedar, do mesmo jeito que o não consagrado.”
“... o Bhagavad Gita, a canção do amado, o texto sagrado mais popular da Índia, em que Krishna transmite ao guerreiro Arjuna a sabedoria de vida essencial do yoga;”
Buda não deixou nada por escrito, seus ensinamentos foram reunidos e escritos por seus discípulos por volta do século IV a.C.
A Bíblia Hebraica é também considerada como escritos sagrados para os muçulmanos, pois Abraão é respeitado como patriarca e referência religiosa para esse povo.
Lao Tse, nascido em 604 a.C. "teria passado a primeira metade de sua vida como bibliotecário da corte e, a segunda metade, como contemplativo. No fim da vida, rumo ao Tibete, montado num boi, embrenhou-se na floresta onde, segundo tradições, vive até hoje".
"Maomé é o nome ocidentalizado de Muhammad Ben Abdallah, um grande místico que passava noites em oração."
O exemplar mais antigo do Alcorão data de 776.
Com o passar do tempo as religiões sofrem algumas crises, pois a sociedade se transforma. Alguns dos desafios das religiões são "a dificuldade de se orientar no mundo moderno; a crise da autoridade tradicional, a crise das referências, dos controles e dos valores" e também "o desejo de integração e ascensão social e o medo do descenso".
Muitas pessoas criam suas próprias religiões à partir de recortes que elas tiram de universos religiosos diferentes.
"O indivíduo pode entender-se a si mesmo comparando-se com os outros, com valores, instituições e significados presentes na sociedade. Caso não consiga se localizar em relação ao lugar que ocupa no seio da sociedade, ele sente-se ameaçado de perder os laços que o satisfazem emocionalmente, de perder sua orientação na experiência da vida, ou seja, sente-se ameaçado de anomia".
"Outra forma de resolução é ainda a concepção do 'carma' que crê na transmigração das almas e nas reencarnações, que podem ser em outras vidas melhores, até chegar à divindade, ou em vida piores, até chegar ao estado do animal" (WEBER, 1991).
"Adquire, então, a mania de projetar na ideia de Deus seus próprios atributos, em lugar de tomá-los para si mesmos; ou seja, o ser humano fabrica a religião, uma imagem invertida do mundo, porque o mundo mesmo está invertido".
"... a religião é a expressão da miséria real, mas é também o protesto contra a miséria real".
No budismo, a monja mais velha tem o dever de prestar reverência ao mais novo dos monges.
Na teologia feminista "a Bíblia não é mais aceita acriticamente como a palavra de Deus, nem o Gênesis é considerado um relato histórico sobre a origem do mundo e da sociedade humana".
"O pudor que encobre seus membros ou lhes cerra os lábios é a própria marca da feminilidade" (MATOS, 2003).
A Hermenêutica bíblica feminista "apóia a mulher na sua luta por libertação e direitos mas, ainda assim, encara-a como um ser inferior no momento em que a iguala aos fracos".
"Um estudo à parte seria sobre a família, tão decantada 'célula mater' da sociedade; mas esta é autoritária e esta a serviço do poder, sendo, portanto, reprodutora e fiel servidora do aparato do poder constituído. Qual o ditador que não lançou mão da família para reafirmar sua dominação?". "A Igreja institucional equivoca-se compartilhando desse universo patriarcal".
"A religião é a alma ou a dimensão central da cultura" (BELLO, 1998)
A cultura é o lugar da diferença, do debate.
"O preconceito torna-se então uma postura, uma concepção, pela qual algumas pessoas consideram sua cultura, suas crenças, seus símbolos, superiores e/ou melhores do que os dos outros povos e de outras culturas (etnocentrismo), servindo-se assim de avaliações negativas sobre as pessoas- suas culturas, seu imaginário simbólico, suas crenças e o seu ethos -, isto é, seu modo de ser no mundo."
"Às vezes, tem-se a impressão de que as religiões só conseguem se impor arrancando o 'convertido' de seu modo de ser no mundo, desenraizando-o de seu universo familiar, cultural e religioso."
"Não haverá paz no mundo sem paz religiosa", e para essa paz ser uma realidade é preciso um compromisso das pessoas de fé de conviverem pacificamente, independente da fé ou religião que cada um tiver."
Na indústria da guerra os EUA chegaram a gastar 446 bilhões de dólares em 2004. "Conforme o Banco Mundial, este montante corresponde a dez vezes mais do que o necessário para reduzir a pobreza mundial pela metade, sendo que 'bastariam os gastos militares norte-americanos de somente 40 dias para conseguir este objetivo" (MARROQUÍN, 2003, p.43)
"Necessário, afinal, se faz optar entre 'Deus e o Mammon/dinheiro' (Mt 6,24) porque esta escolha repercurte na vida cotidiana de todo mundo, sobretudo das pessoas empobrecidas, e contribui ou prejudica processos de construção de culturas de paz".
"Eles perceberam, como Dom Hélder Câmara, que todo pensador e toda teoria, também a teoria teológica, sempre estão ligados a um lugar social e a determinados interesses. Nesse sentido não existe conhecimento neutro".
"Como viver hoje a palavra de Jesus "eu vim trazer liberdade aos cativos" e não traduzir isso em solidariedade para com os injustamente presos, para com os perseguidos e excluídos de nossa sociedade? E havia ainda essa questão: que contribuição minha teologia e minha igreja podem dar aos esforços dos pobres que já estão lutando pela libertação da fome, da pobreza e da marginalização?"
"No martiriológio latino-americano para cada dia do ano há uma pessoa que tombou, vítima da violência policial, do latifúndio, da segurança nacional ou das segurança dos privilégios da burguesia".
A defesa da vida é o foco principal da teologia da libertação hoje. Não são mais somente os pobres que lutam pela vida, para não morrer. A terra, as águas, a fauna e a flora também estão ameaçadas por essa civilização predatória, consumista e insensível que se globalizou com o mercado capitalista".
"Não se pode ler e estudar a Bíblia na base do fundamentalismo/concordismo, pois isso é falta de respeito ao mundo das ciências e à fé".
A narrativa da criação do livro do Gênesis "é um poema universal que sintetiza em uma semana, os cinco bilhões de anos da história do universo".
"A linguagem é mítico-simbólica conhecida no seu tempo não só em Israel mas em outros povos orientais, que falavam da 'árvore da vida'(Gn 2,9), da 'serpente' (3,1), um tmpo de paraíso no início dos tempos".
"Nas bíblias, em português, fala-se da 'costela' do Adão. No entanto a palavra hebraica (letza) pode significar, melhor que costela, o 'lado'. Quer dizer, Deus tirou um lado de Adão, e, assim, formou Eva".
"...religião dos cananeus: era uma religião agradável, com o culto ritual do sexo, sem compromisso ético, apenas com exigências de colocação de ritos".
Nas "teses" da ciência atual ficam excluídas quaisquer referências a elementos ou processos não materiais. Conceitos como alma ou espírito não ajudam a elucidar, ao contrário são complicadores.
"Em todos os discursos religiosos o divino é algo 'externo' e o mesmo tempo 'estranho'. Esta exterioridade não é física e territorial como as palavras 'externo' e 'estranho' sugerem, mas não temos imagens melhores para expressá-la. A palavra que se tornou a designação própria desta exterioridade é 'transcendência'."
A teologia possui uma forma peculiar de observar a vida, é diferente do científico, utiliza o método hermenêutico.
Construir constantemente o sentido da respostas é rumo da Teologia.
"A Teologia é como um olhar dirigido para o passado que permite avaliar, de alguma forma provisória e preventiva, as
imaginações do futuro, a Teologia é uma estratégia de reflexão sobre o presente."
"Acreditar épermitir que uma narrativa saia do quadro da simples leitura e gere um mundo."
"A revolução biotecnológica afetará todos os aspectos de nossa vida. A forma como nos alimenttamos, como namoramos e casamos, como temos os nossos bebês, como educamos e criamos nossos filhos, como trabalhamos, como nos envolvemos com a política, como expressamos nossa fé, como percebemos o mundo ao nosso redor e nossa posição nele - todas as nossas realidades, pessoais e coletivas serão profundamente tocadas pelas novas tecnologias do século biotecnológico. A revolução biotecnológica obrigará cada um de nós a espelhar seus valores mais íntimos, levando-nos a ponderar sobre a questão máxima da finalidade e sentido da existência (RIFKIN, 1999, p.248)"
"A realidade se constrói valendo-se dos critérios de validação dos discursos aceitos".
O papel de construir o significado da doença e morte, assim como da cura, foi assumido, em quase todas as culturas humanas, pela religião. E estatisticamente a crença na medicina ainda não ultrapassou a crença nos poderes sobrenaturais de cura."
E sobre a fé, cabe a citação do grande médico-mágico da Renascença, Paracelso, que dizia:"Não é importante que o sujeito de nossa fé seja verdadeiro ou falso, pois os efeitos são os mesmos. (...) a fé realiza o milagre, seja ela fé justa ou fé errada."
Afirmação do biólogo Henri Atlan (1992, p.235): "Já não se interroga mais a vida nos laboratórios mas apenas nos interessamos pela lógica a organização dos sistemas vivos".
O espiritual é que leva, em todas as suas características e exigências a pessoa a buscar os mistérios e o transcendente.
Os quatro conceitos teológicos importantíssimos para a vida humana:"'fé', que é uma realidade inata em todos os indivíduos; a 'alegria', como fonte de energia para promover as expectativas da existência; a 'esperança', como propósito de motivações que determinam a nosso futuro; e a 'paz', tão necessária, em qualquer época, para a vida de cada um até a vida no planeta."
"O mistério é o grande tema das religiões, da fé, da espiritualidade, da teologia."
"... em virtude dos acontecimentos que levaram as pessoas a praticarem, acadêmica ou socialmente, ações com grande influência racional positivista, o lado interior acabou ficando em plano secundário. No entanto, mesmo não aceitando esta realidade ela existe e continuará presente em nossas vidas."
"Estamos colocando a Boa Nova na camisa de forças da lógica excludentedo capital? Priorizar o problema social no Brasil de hoje é um desafio."
"Já a linguagem da experiência religiosa é a fé, o sagrado. A fé remete a uma experiência fundante de sentido para a totalidade da existência e do mundo. Esta linguagem sempre usa símbolos e metáforas, pois fala de uma realidade real, mas intangível, o mistério de Deus, que é trnascendente e inesgotável."
"Quanto mais mercadorias, mais felicidade, essa é a promessa de 'salvação'. Naturalmente essa ideologia vai dizer que quem não consegue ser um 'vencedor', é porque não batalhou o suficiente, fracassou por própria culpa. O que a ideologia não explica é porque a grande maioria nunca consegue 'chegar lá', por mais que se mate de trabalhar. Temos de novo uma concepção religiosa, no caso a 'teologia da prosperidade', reforçando um sistema econômico-político injusto."
"O senso comum não vai muito além das conversas de feira."
"O excesso de sofrimento humano, na tragédia social da fome, por exemplo, não pode ser expresso ou revelado por meio dos procedimentos teórico-metodológico das ciências humanas ou sociais. Sofrimento, vida e morte, sempre concretos e singulares, desaparecem atrás da metodologia científica, dos parágrafos do código civil, dos dados e da estatística social, pois neles as pessoas comparecem como generalidades abstratas, sem história e sem rosto, mas a teologia não pode
substituir os sujeitos pela quantificação das tabelas, pelo anonimato das leis ou pela abstração das cifras econômicas.
Para ela o sofrimento tem relevância não porque foram duzentas pessoas que morreram e não 'apenas duas', mas porque o sofrimento é a linguagem da presença de Deus no mundo."
"Quantos cientistas conhecem o sofrimento apenas por meio de gráficos e tabelas? Quantas vezes juristas fazem do julgamento de um pobre a arena para sua promoção pessoal? Quanta soberba e distanciamento pode existir nos procedimentos mais profissionais, especializados e científicos? Quantos cientistas e profissionais se acostumaram tanto a ser chamadas de doutor, vossa excelência, meritíssimo, reverendíssimo que se esqueceram que são seres humanos, iguais em dignidade a
todos os outros?"
Somos todos irmãos, iguais tanto em dignidade como em direitos e deveres.
É preciso uma valorização das outras dimensões humanas: na sensibilidade, na espiritualidade e na postura ética.
"Dá-se mais atenção à investigação científica, que se volta à tecnologia de ponta, do que à própria adequação desta aos valores humanos e aos direitos da pessoa."
"Eu sou eu. Só posso ser eu. Só quero ser eu. Você é você. Só pode querer ser você. De nada adianta querer imitar os outros, pois, ao fazê-lo, perdemos nossa autenticidade. O melhor é a gente querer ser o que é, aceitar-se como se é. Somos todos diferentes. Procure ser você, apenas você. Deixe que os outros sejam como são. Não é bom que as pessoas sejam diferentes umas das outras? É muito melhor. Não é verdade? Pensar assim, revela uma mente aberta à realidade, mais acolhedora e compreensiva (NOVAIS, 1994, p.13, 24)."
Toda pessoa decente zela pelo seu nome.
O nome define a função, o trabalho que a pessoa deve desempenhar no plano do Reino de Deus.
"O amor a si mesmo é prioritário, é o começo de tudo. Quem não se ama, não é capaz de amar alguém, nem merece ser amado."
"Quem não se ama espalha, dispersa tudo para longe de si."
"Saber conviver com a diferença é sinal de saúde psicológica e espiritual, porque quem preza a própria liberdade respeitaa liberdade do outro em sua diferença e até se alegra com ela."
"... verdade flui de várias maneiras - por manifestações culturais, sociais - e passa, necessariamente, por muitíssimos tipos de leituras, visto que "os nossos ângulos de ver a Verdade ainda não é a Verdade Toda..."
Não é possível ter uma compreensão de Deus por meios racionais e lógicos "O indivíduo deve participar de Deus".
Concluímos que o processo da influência é incosciente em ambas as partes. O processo de imitação desenvolve-se como parte da participação mística."
Não é tão simples como muitos querem pensar, pois não precisamos apenas de comida e bebida, contatos físicos e relações sociais, mas precisamos também descobrir o sentido da nossa vida.
Se as forças sobrenaturais são ou não são verdadeiras não é importante.
"Os artistas, nessa ânsia de entender o mistério da vida, deixam-nos em suas pinturas, estátuas, poesias, textos e músicas, caminhos possíveis para outros que se debatem na mesma busca e com as mesmas perguntas para compreendereem Deus."
"Com nossa inteligência e imaginação podemos voar longe, sonhar um mundo fantástico, visitar outros lugares, criar situações, mergulhar na vastidão da imaginação. É a capacidade de 'transcender-nos'. Os filmes, por exemplo, são terrenos privilegiados da criatividade e da fantasia humanas, tanto é que saindo de uma sala de cinema tem-se a sensação de se ter vivido uma experiência fantástica que provoca um pequenos choque com a realidade cotidiana."
"Nesta busca de respostas e de sentido, o ser humano fazendo uso de sua capacidade de transcender-se, se abre ao 'Transcendente', como ser superior, imortal, divino, que está no início e no fim de tudo. Na história da humanidade, a crença num ser transcendente, criador e mantenedor da ordem cósmica é atestada nos mitos de origem em praticamente todas as religiões. Ele pode ser definido como o Bem, a Ordem, a Providência divina, a Perfeição, a Vida, a Causa Primeira, Deus
etc. A ideia fundamental, porém, é a mesma: trata-se do princípio infinito que está na origem da vida do universo, de sua conservação e ordem, para o qual tudo está orientado no futuro. Pela filosofia tal conceito é definido como 'causa não causada' (Tomás de Aquino), ao passo que para a teologia é um ser transcendente: Deus."
"... um ser perfeito não pode criar outro ser perfeito,porque estaria criando a si mesmo."
Os três elementos básicos que formam uma religião: "um corpo doutrinal sólido, um conjunto de ritos e um grupo sacerdotal responsável pela tradição, interpretação e pelo correto ' funcionamento' da estrutura.”
“ A teologia pressupõe a experiência religiosa e a fé.”
“A teologia se baseia na revelação de Deus que pode ser natural (na criação), ou sobrenatural (história sagrada, tradição oral e escrita, profetas, Jesus etc).”
“... para a ciência, a verdade é o ponto final de um procedimento metodológico; para a Teologia, a verdade nos procede e transcende, podendo ter acesso a ela somente por revelação e pela fé”
“ A experiência religiosa, quando lida pelo enfoque da razão, torna-se objeto de estudo e investigação das várias ciências humanas, como a Antropologia, a Sociologia, a Historiografia, a Psicologia etc.”
A religião é um dos ingredientes da cultura de um povo pois ela é a busca dos significados e respostas às perguntas profundas.
“ A religião não é patrimônio exclusivo das igrejas. É fruto da história dos povos e a eles pertence como um dos elementos mais significativos e importante de suas culturas; porque ela, antes de ser a estruturação de certa experiência religiosa é, e representa, o anseio humano de se transcender e de se encontrar com aquele Ser, no qual a humanidade encontra as respostas às suas perguntas profundas”
“mito é um relato de um acontecimento originário, no qual os Deuses agem e cuja finalidade é 'dar sentido' a ua realidade significativa” (CROATTO, 2001, p.209)
“O vinho consagrado, mesmo sendo sangue de Cristo, pode embebedar, do mesmo jeito que o não consagrado.”
“... o Bhagavad Gita, a canção do amado, o texto sagrado mais popular da Índia, em que Krishna transmite ao guerreiro Arjuna a sabedoria de vida essencial do yoga;”
Buda não deixou nada por escrito, seus ensinamentos foram reunidos e escritos por seus discípulos por volta do século IV a.C.
A Bíblia Hebraica é também considerada como escritos sagrados para os muçulmanos, pois Abraão é respeitado como patriarca e referência religiosa para esse povo.
Lao Tse, nascido em 604 a.C. "teria passado a primeira metade de sua vida como bibliotecário da corte e, a segunda metade, como contemplativo. No fim da vida, rumo ao Tibete, montado num boi, embrenhou-se na floresta onde, segundo tradições, vive até hoje".
"Maomé é o nome ocidentalizado de Muhammad Ben Abdallah, um grande místico que passava noites em oração."
O exemplar mais antigo do Alcorão data de 776.
Com o passar do tempo as religiões sofrem algumas crises, pois a sociedade se transforma. Alguns dos desafios das religiões são "a dificuldade de se orientar no mundo moderno; a crise da autoridade tradicional, a crise das referências, dos controles e dos valores" e também "o desejo de integração e ascensão social e o medo do descenso".
Muitas pessoas criam suas próprias religiões à partir de recortes que elas tiram de universos religiosos diferentes.
"O indivíduo pode entender-se a si mesmo comparando-se com os outros, com valores, instituições e significados presentes na sociedade. Caso não consiga se localizar em relação ao lugar que ocupa no seio da sociedade, ele sente-se ameaçado de perder os laços que o satisfazem emocionalmente, de perder sua orientação na experiência da vida, ou seja, sente-se ameaçado de anomia".
"Outra forma de resolução é ainda a concepção do 'carma' que crê na transmigração das almas e nas reencarnações, que podem ser em outras vidas melhores, até chegar à divindade, ou em vida piores, até chegar ao estado do animal" (WEBER, 1991).
"Adquire, então, a mania de projetar na ideia de Deus seus próprios atributos, em lugar de tomá-los para si mesmos; ou seja, o ser humano fabrica a religião, uma imagem invertida do mundo, porque o mundo mesmo está invertido".
"... a religião é a expressão da miséria real, mas é também o protesto contra a miséria real".
No budismo, a monja mais velha tem o dever de prestar reverência ao mais novo dos monges.
Na teologia feminista "a Bíblia não é mais aceita acriticamente como a palavra de Deus, nem o Gênesis é considerado um relato histórico sobre a origem do mundo e da sociedade humana".
"O pudor que encobre seus membros ou lhes cerra os lábios é a própria marca da feminilidade" (MATOS, 2003).
A Hermenêutica bíblica feminista "apóia a mulher na sua luta por libertação e direitos mas, ainda assim, encara-a como um ser inferior no momento em que a iguala aos fracos".
"Um estudo à parte seria sobre a família, tão decantada 'célula mater' da sociedade; mas esta é autoritária e esta a serviço do poder, sendo, portanto, reprodutora e fiel servidora do aparato do poder constituído. Qual o ditador que não lançou mão da família para reafirmar sua dominação?". "A Igreja institucional equivoca-se compartilhando desse universo patriarcal".
"A religião é a alma ou a dimensão central da cultura" (BELLO, 1998)
A cultura é o lugar da diferença, do debate.
"O preconceito torna-se então uma postura, uma concepção, pela qual algumas pessoas consideram sua cultura, suas crenças, seus símbolos, superiores e/ou melhores do que os dos outros povos e de outras culturas (etnocentrismo), servindo-se assim de avaliações negativas sobre as pessoas- suas culturas, seu imaginário simbólico, suas crenças e o seu ethos -, isto é, seu modo de ser no mundo."
"Às vezes, tem-se a impressão de que as religiões só conseguem se impor arrancando o 'convertido' de seu modo de ser no mundo, desenraizando-o de seu universo familiar, cultural e religioso."
"Não haverá paz no mundo sem paz religiosa", e para essa paz ser uma realidade é preciso um compromisso das pessoas de fé de conviverem pacificamente, independente da fé ou religião que cada um tiver."
Na indústria da guerra os EUA chegaram a gastar 446 bilhões de dólares em 2004. "Conforme o Banco Mundial, este montante corresponde a dez vezes mais do que o necessário para reduzir a pobreza mundial pela metade, sendo que 'bastariam os gastos militares norte-americanos de somente 40 dias para conseguir este objetivo" (MARROQUÍN, 2003, p.43)
"Necessário, afinal, se faz optar entre 'Deus e o Mammon/dinheiro' (Mt 6,24) porque esta escolha repercurte na vida cotidiana de todo mundo, sobretudo das pessoas empobrecidas, e contribui ou prejudica processos de construção de culturas de paz".
"Eles perceberam, como Dom Hélder Câmara, que todo pensador e toda teoria, também a teoria teológica, sempre estão ligados a um lugar social e a determinados interesses. Nesse sentido não existe conhecimento neutro".
"Como viver hoje a palavra de Jesus "eu vim trazer liberdade aos cativos" e não traduzir isso em solidariedade para com os injustamente presos, para com os perseguidos e excluídos de nossa sociedade? E havia ainda essa questão: que contribuição minha teologia e minha igreja podem dar aos esforços dos pobres que já estão lutando pela libertação da fome, da pobreza e da marginalização?"
"No martiriológio latino-americano para cada dia do ano há uma pessoa que tombou, vítima da violência policial, do latifúndio, da segurança nacional ou das segurança dos privilégios da burguesia".
A defesa da vida é o foco principal da teologia da libertação hoje. Não são mais somente os pobres que lutam pela vida, para não morrer. A terra, as águas, a fauna e a flora também estão ameaçadas por essa civilização predatória, consumista e insensível que se globalizou com o mercado capitalista".
"Não se pode ler e estudar a Bíblia na base do fundamentalismo/concordismo, pois isso é falta de respeito ao mundo das ciências e à fé".
A narrativa da criação do livro do Gênesis "é um poema universal que sintetiza em uma semana, os cinco bilhões de anos da história do universo".
"A linguagem é mítico-simbólica conhecida no seu tempo não só em Israel mas em outros povos orientais, que falavam da 'árvore da vida'(Gn 2,9), da 'serpente' (3,1), um tmpo de paraíso no início dos tempos".
"Nas bíblias, em português, fala-se da 'costela' do Adão. No entanto a palavra hebraica (letza) pode significar, melhor que costela, o 'lado'. Quer dizer, Deus tirou um lado de Adão, e, assim, formou Eva".
"...religião dos cananeus: era uma religião agradável, com o culto ritual do sexo, sem compromisso ético, apenas com exigências de colocação de ritos".
Nas "teses" da ciência atual ficam excluídas quaisquer referências a elementos ou processos não materiais. Conceitos como alma ou espírito não ajudam a elucidar, ao contrário são complicadores.
"Em todos os discursos religiosos o divino é algo 'externo' e o mesmo tempo 'estranho'. Esta exterioridade não é física e territorial como as palavras 'externo' e 'estranho' sugerem, mas não temos imagens melhores para expressá-la. A palavra que se tornou a designação própria desta exterioridade é 'transcendência'."
A teologia possui uma forma peculiar de observar a vida, é diferente do científico, utiliza o método hermenêutico.
Construir constantemente o sentido da respostas é rumo da Teologia.
"A Teologia é como um olhar dirigido para o passado que permite avaliar, de alguma forma provisória e preventiva, as
imaginações do futuro, a Teologia é uma estratégia de reflexão sobre o presente."
"Acreditar épermitir que uma narrativa saia do quadro da simples leitura e gere um mundo."
"A revolução biotecnológica afetará todos os aspectos de nossa vida. A forma como nos alimenttamos, como namoramos e casamos, como temos os nossos bebês, como educamos e criamos nossos filhos, como trabalhamos, como nos envolvemos com a política, como expressamos nossa fé, como percebemos o mundo ao nosso redor e nossa posição nele - todas as nossas realidades, pessoais e coletivas serão profundamente tocadas pelas novas tecnologias do século biotecnológico. A revolução biotecnológica obrigará cada um de nós a espelhar seus valores mais íntimos, levando-nos a ponderar sobre a questão máxima da finalidade e sentido da existência (RIFKIN, 1999, p.248)"
"A realidade se constrói valendo-se dos critérios de validação dos discursos aceitos".
O papel de construir o significado da doença e morte, assim como da cura, foi assumido, em quase todas as culturas humanas, pela religião. E estatisticamente a crença na medicina ainda não ultrapassou a crença nos poderes sobrenaturais de cura."
E sobre a fé, cabe a citação do grande médico-mágico da Renascença, Paracelso, que dizia:"Não é importante que o sujeito de nossa fé seja verdadeiro ou falso, pois os efeitos são os mesmos. (...) a fé realiza o milagre, seja ela fé justa ou fé errada."
Afirmação do biólogo Henri Atlan (1992, p.235): "Já não se interroga mais a vida nos laboratórios mas apenas nos interessamos pela lógica a organização dos sistemas vivos".
O espiritual é que leva, em todas as suas características e exigências a pessoa a buscar os mistérios e o transcendente.
Os quatro conceitos teológicos importantíssimos para a vida humana:"'fé', que é uma realidade inata em todos os indivíduos; a 'alegria', como fonte de energia para promover as expectativas da existência; a 'esperança', como propósito de motivações que determinam a nosso futuro; e a 'paz', tão necessária, em qualquer época, para a vida de cada um até a vida no planeta."
"O mistério é o grande tema das religiões, da fé, da espiritualidade, da teologia."
"... em virtude dos acontecimentos que levaram as pessoas a praticarem, acadêmica ou socialmente, ações com grande influência racional positivista, o lado interior acabou ficando em plano secundário. No entanto, mesmo não aceitando esta realidade ela existe e continuará presente em nossas vidas."
"Estamos colocando a Boa Nova na camisa de forças da lógica excludentedo capital? Priorizar o problema social no Brasil de hoje é um desafio."
"Já a linguagem da experiência religiosa é a fé, o sagrado. A fé remete a uma experiência fundante de sentido para a totalidade da existência e do mundo. Esta linguagem sempre usa símbolos e metáforas, pois fala de uma realidade real, mas intangível, o mistério de Deus, que é trnascendente e inesgotável."
"Quanto mais mercadorias, mais felicidade, essa é a promessa de 'salvação'. Naturalmente essa ideologia vai dizer que quem não consegue ser um 'vencedor', é porque não batalhou o suficiente, fracassou por própria culpa. O que a ideologia não explica é porque a grande maioria nunca consegue 'chegar lá', por mais que se mate de trabalhar. Temos de novo uma concepção religiosa, no caso a 'teologia da prosperidade', reforçando um sistema econômico-político injusto."
"O senso comum não vai muito além das conversas de feira."
"O excesso de sofrimento humano, na tragédia social da fome, por exemplo, não pode ser expresso ou revelado por meio dos procedimentos teórico-metodológico das ciências humanas ou sociais. Sofrimento, vida e morte, sempre concretos e singulares, desaparecem atrás da metodologia científica, dos parágrafos do código civil, dos dados e da estatística social, pois neles as pessoas comparecem como generalidades abstratas, sem história e sem rosto, mas a teologia não pode
substituir os sujeitos pela quantificação das tabelas, pelo anonimato das leis ou pela abstração das cifras econômicas.
Para ela o sofrimento tem relevância não porque foram duzentas pessoas que morreram e não 'apenas duas', mas porque o sofrimento é a linguagem da presença de Deus no mundo."
"Quantos cientistas conhecem o sofrimento apenas por meio de gráficos e tabelas? Quantas vezes juristas fazem do julgamento de um pobre a arena para sua promoção pessoal? Quanta soberba e distanciamento pode existir nos procedimentos mais profissionais, especializados e científicos? Quantos cientistas e profissionais se acostumaram tanto a ser chamadas de doutor, vossa excelência, meritíssimo, reverendíssimo que se esqueceram que são seres humanos, iguais em dignidade a
todos os outros?"
Somos todos irmãos, iguais tanto em dignidade como em direitos e deveres.
É preciso uma valorização das outras dimensões humanas: na sensibilidade, na espiritualidade e na postura ética.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
On the road (Pé na Estrada)
Primeiramente assisti o filme (2012) com a direção de Walter Salles e depois li o livro, um clássico beat de 1957 do autor Jack Kerouac. O filme é bem feito, com bons atores e bem atual. Porém senti uma discrepância entre as duas obras, como ocorre quase sempre, já que o filme retrata a leitura que o diretor teve do livro. Mas a leitura do Walter Salles me desagradou, assim como desagradou muitos amigos meus que leram o livro e sentiram como eu a deturpação que foi feita nessa obra clássica que ajudou na propagação dos ideais beat e posteriormente no movimento hippie.
Como bem sabemos o movimento beat e o
movimento hippie foram importantes movimentos sociais e culturais a
partir de onde surgiram estilos musicais, bandas, escritores entre
outros artistas que ainda influenciam nossa cultura até os dias de
hoje. No Brasil foi bem forte a influência da “Tropicália”, que
recebeu influências de todos os movimentos sociais e culturais que
ocorriam nos Estados Unidos e Europa, adaptando a cultura ocidental à
nossa realidade, através da antropofagia.
Jack em seu livro traz o espírito da
liberdade, o espírito do desapego, da aventura, da juventude
inquieta e revolucionária, das pessoas que não se acomodam, que não
se satisfazem com a mediocridade, com a padronização, com o
establishment. Relata histórias dele e de seus amigos que resolveram
desbravar os Estados Unidos de Leste a Oeste, percorrendo estradas
(principalmente a rota 66) de carro, de trem e de carona. Aventuras
repletas de experiência de vida, aprendizado e diversão.
O livro retrata uma juventude que era
vista como rebelde sem causa, que consumiam maconha, bebida, tabaco e
benzedrina, fora outras substâncias intorpecentes. Gostavam de
festas e orgias. Alguns eram escritores, outros músicos, e havia os
que simplesmente eram aventureiros.
Havia algumas pessoas mais velhas que
possuiam pensamentos parecidos, e eram considerados tutores por essa
juventude, um deles era o Old Bull Lee, que morava em uma fazenda,
onde escrevia, fumava sua maconha plantada por ele mesmo, tomava sua
benzedrina e bebia seu martine com sua esposa. Possuiam 2 filhos
pequenos muito apegados a eles. Viviam loucos e felizes em família.
Eles curtiam muito o Blues que era a
onda do momento no final dos anos 40, início dos anos 1950. Eles
buscavam a proximação entre eles (brancos) e os negros. Não tinham
medo e até gostavam de frequentar “os bairros negros”.
Na obra de Kerouac é retratada as
relações de amizade e as relações amorosas que ocorrem entre
membros do grupo, e mostra a dificuldade na adaptação dos antigos
costumes de casar, ter filhos, emprego fixo com a realidade louca e
desapegada dessa nova geração. As esposas de Dean que o digam.
Apesar de todas essas novidades no
relacionamento que marcavam a geração deles, Jack não cita em sua
obra, em nenhum momento o homossexualismo entre os amigos do grupo
cujas histórias são narradas, apesar da amizade intensa e sem
preconceitos, não há um relato concreto sobre alguma relação gay
entre eles, o que me levou a questionar a qualidade do filme de
Walter Salles.
Minha crítica é para todas as pessoas
que gostam de generalizar os “alternativos e de vanguarda”,
colocando todos no mesmo “saco”. Não é por que é hippie que é
maconheiro, não é porque é alternativo que é gay. Cada pessoa tem
suas características e gostos pessoais e isso, por favor, deve ser
levado em conta.
domingo, 19 de outubro de 2014
Roberto e os coxinhas
Roberto estava indo ao banco pagar contas quando viu um senhor de uns 60 anos falando o porque de ele votar em candidatos de direita. Explicava que pobre é pobre porque não trabalha, não estuda, e por isso não se deve dar dinheiro, nem terra pra eles. Porém Roberto reparou que aquele senhor era classe média e de origem pobre. Vítima do sistema.
Depois de pagas as contas, Roberto se dirigiu para o trabalho e lá se deparou com uma cena, onde uma senhora de uns 55 anos falava dentre outras asneiras sobre como era boa a vida na época da ditadura, que naquele tempo havia mais moral, descência, as pessoas eram mais patriotas. Roberto pensou em falar algo, mas desistiu. Valeria a pena ensinar História para uma senhora ignorante desconhecida?
Roberto era um homem esclarecido, tinha interesse pela sabedoria, pelo conhecimento. Lia pelo menos 10 livros por ano, pesquisava na internet, assistia videos com conteúdo, travava longas conversas com pessoas inteligentes, e era humilde para aceitar quando errava ou quando descobria opiniões melhores que as suas. Concluiu o ensino universitário porém era crítico da Educação Institucionalizada, pois para ele a instituição desviava o foco da educação.
Durante anos Roberto foi militante de movimentos sociais, sempre apoiando as minorias e suas lutas. Tinha visão e experiência, além de um coração enorme. Ele era um homem ponderado mas naquele fim de tarde ele não conseguiu se conter. A gota d´água foi quando ele viu um bando de coxinhas, mauricinhos, filhinhos de papai, que não sabiam o valor do trabalho, do dinheiro, falando um monte de tolices. Como se não bastasse apoiar partidos de direita, eles criticavam o marxismo, o comunismo, o anarquismo e todos os cidadãos que participavam de greve ou protesto, sempre de uma forma tosca, fazendo piada, sem argumentos, criando a imagem do militante de esquerda como um vagabundo drogado que não sabe o que diz e que não tem mais o que fazer.
Enojado de toda aquela conversa alienada, Roberto ja estava saindo imputecido quando o mais coxinha do grupo lhe ofereceu um santinho e lhe pediu o voto para aquele candidato mal caráter. O sangue lhe subiu a cabeça e ele de súbito arrancou a cinta e começou a dar no infeliz. Dizia: "agora você vai ver como eu vou votar, seu sem-vergonha, coxinha safado!" Enquanto o besta tomava umas boas cintadas, seus parceiros sairam correndo com medo. Além de tudo eram frouxos.
Depois de pagas as contas, Roberto se dirigiu para o trabalho e lá se deparou com uma cena, onde uma senhora de uns 55 anos falava dentre outras asneiras sobre como era boa a vida na época da ditadura, que naquele tempo havia mais moral, descência, as pessoas eram mais patriotas. Roberto pensou em falar algo, mas desistiu. Valeria a pena ensinar História para uma senhora ignorante desconhecida?
Roberto era um homem esclarecido, tinha interesse pela sabedoria, pelo conhecimento. Lia pelo menos 10 livros por ano, pesquisava na internet, assistia videos com conteúdo, travava longas conversas com pessoas inteligentes, e era humilde para aceitar quando errava ou quando descobria opiniões melhores que as suas. Concluiu o ensino universitário porém era crítico da Educação Institucionalizada, pois para ele a instituição desviava o foco da educação.
Durante anos Roberto foi militante de movimentos sociais, sempre apoiando as minorias e suas lutas. Tinha visão e experiência, além de um coração enorme. Ele era um homem ponderado mas naquele fim de tarde ele não conseguiu se conter. A gota d´água foi quando ele viu um bando de coxinhas, mauricinhos, filhinhos de papai, que não sabiam o valor do trabalho, do dinheiro, falando um monte de tolices. Como se não bastasse apoiar partidos de direita, eles criticavam o marxismo, o comunismo, o anarquismo e todos os cidadãos que participavam de greve ou protesto, sempre de uma forma tosca, fazendo piada, sem argumentos, criando a imagem do militante de esquerda como um vagabundo drogado que não sabe o que diz e que não tem mais o que fazer.
Enojado de toda aquela conversa alienada, Roberto ja estava saindo imputecido quando o mais coxinha do grupo lhe ofereceu um santinho e lhe pediu o voto para aquele candidato mal caráter. O sangue lhe subiu a cabeça e ele de súbito arrancou a cinta e começou a dar no infeliz. Dizia: "agora você vai ver como eu vou votar, seu sem-vergonha, coxinha safado!" Enquanto o besta tomava umas boas cintadas, seus parceiros sairam correndo com medo. Além de tudo eram frouxos.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Raízes do Brasil - resenha crítica
Nessa obra, Sérgio Buarque de Holanda busca mostrar nossas raízes, a cultura brasileira que afeta todos os setores do país.
As nações ibéricas. "O que entre elas predomina é a concepção antiga de que o ócio importa mais que o negócio e de que a atividade produtora é, em si, menos valiosa que a contemplação e o amor".
O caçador/coletor (aventureiro) que é um dos personagens que fazem parte da construção cultural barsileira, juntamente com o lavrador (trabalhador). O ideal do aventureiro é "colher o fruto sem plantar a árvore". "Esse tipo humano ignora as fronteiras, no mundo tudo se apresenta a ele em generosa amplitude e, onde quer que se erija um obstáculo a seus propósitos ambiciosos, sabe transformar esses obstáculos em trampolim. Vive dos espaços ilimitados, dos projetos vastos,
dos horizontes distantes".
"O trabalhador, ao contrário, é aquele que enxerga primeiro a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar. O esforço lento, pouco compensador e persistente, que, no entanto, mede todas as possibilidades de esperdício e sabe tirar o máximo proveito do insignificante, tem sentido bem nítido para ele. Seu campo visual é naturalmente restrito. A parte maior do que o todo".
"...nem o aventureiro, nem o trabalhador possuem existência real fora do mundo das idéias".
"'Um português', comentava certo viajante em fins do século XVIII, 'pode fretar um navio para o Brasil com menos dificuldade do que lhe é preciso para ir a cavalo de Lisboa ao Porto'".
"Assim é que, em portaria de 6 de agosto de 1771, o vice-rei do Brasil mandou dar baixa do posto de capitão-mor a um índio, porque "se mostrara de tão baixos sentimentos que casou com uma preta, manchando o seu sangue com esta aliança, e tornando-se assim indigno de exercer o referido posto".
Os nossos índios, tinham dificuldades (insuperáveis) em aprender os idiomas nórdicos , ao passo que o português, como o castelhano, lhes era muito mais acessível. "Os pretos velhos, se dizia que não o aprendiam nunca.
"Desses calvinistas holandeses é impossível dizer-se, como se disse, por exemplo, dos puritanos da América do Norte, que, animados pela inspiração bíblica, se sentiam identificados com o povo de Israel a ponto de assimilarem os indivíduos de outra casta, de outro credo e de outra cor, estabelecidos na Nova Holanda, aos cananeus do Antigo Testamento que o Senhor entregará à raça eleita para serem destruídos e subjugados".
"...homem de bom entendimento e prudência, esse prelado notou que, quando mandava comprar um frangão, quatro ovos e um peixe para comer, nada lhe traziam, porque não se achavam dessas coisas na praça, nem no açougue, e que, quando as pedia às casas particulares, logo lhas mandavam. 'Então disse o bispo: verdadeiramente que nesta terra andam as coisas trocadas, porque toda ela não é república, sendo-o cada casa."
"...durante a grande época do café na província do Rio de Janeiro, não faltou lavrador que se vangloriasse de só ter de comprar ferro, sal, pólvora e chumbo, pois o mais davam de sobra suas próprias terras".
"... a própria palavra 'família', derivada de famulus, se acha estreitamente vinculada à ideia de escravidão, e em que mesmo os filhos são apenas os membros livres do vasto corpo, inteiramente subordinado ao patriarca, os liberi".
"... o pátrio poder é virtualmente ilimitado e poucos freios existem para sua tirania. Não são raros os casos como o de um Bernardo Vieira de Melo, que, suspeitando a nora de adultério, condena-a a morte em conselho de família e manda executar a sentença, sem que a justiça dê um único passo no sentido de impedir o homicído ou de castigar o culpado, a despeito de toda a publicidade que deu ao fato o próprio criminoso".
" A nostalgia dessa organização compacta, única e intransferível, onde prevalecem necessariamente as preferências fundadas em laços afetivos, não podia deixar de marcar nossa sociedade, nossa vida pública, todas as nossas atividades."
" O trabalho mental, que não suja as mãos e não fatiga o corpo, pode constituir, com efeito, ocupação em todos os sentidos digna de antigos senhores de escravos e dos seus herdeiros".
"Estereotipada por longos anos de vida rural, a mentalidade de casa-grande invadiu assim as cidades e conquistou todas as profissões, sem exclusão das mais humildes".
Cidade de Salvador no século XVI era uma cidade esquisita, de casas sem moradores, pois os proprietários passavam o mais tempo em suas roças rurais só vindo no tempo das festas.
A habitação em cidades é essencialmente antinatural, associa-se a manifestações do espírito e da vontade, na medida em que opõem à natureza.
"... a história não somente 'acontece', mas também pode ser dirigida e até fabricada".
A Universidade de São Marcos, em Lima. "... com os privilégios, isenções e limitações da de Salamanca, é fundada por cédula real de 1551, vinte anos apenas depois de iniciada a conquista do Peru por Francisco Pizarro".
"O padre Manuel da Nóbrega, em carta de 1552, exclamava: '... de quantos lá vieram, nenhum tem amor a esta terra...'".
"...a palavra 'desleixo' - palavra que o escritor Aubrey Bell considerou tão tipicamente portuguesa como 'saudade' e que, no seu entender, implica menos falta de energia do que uma íntima convicção de que 'não vale a pena'".
"... a guerra não se faz com invenções, senão com fortes corações".
"Não fez Deus o Céu em xadrez de estrelas...".
No Paraguai, todos se entendiam em guarani, e apenas os mais cultos sabiam o espanhol. Com estranhos só se falava espanhol.
"...'porque nem falar sabe', diz o bispo. E ajunta:'nem se diferença do mais barbaro Tapuia mais que em dizer que he Christão, e não obstante o haver se casado de pouco lhe assistem sete Indias concubinas, e daqui se pode inferir como procede no mais".
Em relação aos índios: "...em vão trabalha quem os quer fazer anjos antes de os fazer homens"
O autor diz que para conquistar um cliente no Brasil ou na Argentina, tem que começar fazendo dele um amigo.
Completa dizendo que as relações entre patrão e empregado costumam ser mais amistosas aqui do que em outra parte.
As relações entre os brasileiros se fundam no parentesco, na vizinhança e na amizade.
"Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição."
"E se bem considerarmos as teorias modernas, veremos que elas tendem, cada vez mais, a separar o indivíduo da comunidade
doméstica, a libertá-lo, por assim dizer, das 'virtudes' familiares."
"... 'a criança deve ser preparada para desobedecer nos pontos em que sejam falíveis as previsões dos pais.' Deve adquirir progressivamente a individualidade, 'único fundamento justo das relações familiares'. 'Os casos frequentes em que os jovens são dominados pelas mães e pais na escolha das roupas, dos brinquedos, dos interesses e atividades gerais, a ponto de se tornarem incompetentes, tanto social, como individualmente, quando não psicopatas, são demasiado frequentes para
serem ignorados.' E aconselha:'Não só os pais de ideias estreitas, mas especialmente os que são extremamente atilados e inteligentes, devem precaver-se contra essa atitude falsaas, pois esses pais realmente inteligentes são, de ordinário, os que mais se inclinam a exercer domínio sobre a criança. As boas mães causam, provavelmente, maiores estragos do que as más, na acepção mais generalizada e popular destes vocábulos'."
"... são os órfãos, os abandonados, que vencem a luta, sobem e governam."
"... a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade - daremos ao mundo o homem cordial."
"... a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade." "Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua sensibilidade e suas emoções."
" Os que assistiram às festas do Senhor Bom Jesus de Pirapora, em São Paulo, conhecem a história do Cristo que desce do altar para sambar com o povo."
O horror às distâncias faz parte do espírito brasileiro.
"Não admira pois, que nossa República tenha sido feita pelos positivistas, ou agnósticos, e nossa Independência fosse obra de maçons."
No Brasil "ocupar cinco ou seis cargos ao mesmo tempo e não exercer nenhum é coisa nada rara."
"... mais de cem estudantes conseguiam colar grau na Universidade de Coimbra todos os anos, a fim de obterem empregos públicos, sem nunca terem estado em Coimbra."
"Os campeões das novas ideias esqueceram-se, com frequência, de que as formas de vida nem sempre são expressões do arbítrio pessoal, não se 'fazem'ou 'desfazem' por decreto.
"por ora a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração de elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava."
"Os melhores, os mais sensíveis, puseram-se a detestar francamente a vida, o 'cárcere da vida', para falar na linguagem do tempo."
"Tornando possível a criação de um mundo fora do mundo, o amor às letras não tardou em instituir um derivativo cômodo para o horror à nossa realidade cotidiana. Não reagiu contra ela, de uma reação sã e fecunda, não tratou de corrigi-la ou domina-la; esqueceu-a, simplesmente, ou detestou-a, provocando desencantos precoces e ilusões de maturidade. Machado de Assis foi a flor dessa planta de estufa."
"... os nossos homens de ideias eram, em geral, puros homens de palavras e livros; não saíam de si mesmos, de seus sonhos e imaginações."
A alfabetização sem outros elementos fundamentais da educação é como uma arma de fogo posta nas mãos de um cego.
O Brasil se envergonhava (e ainda se envergonha) de si mesmo, de sua realidade biológica. Espalhou-se a ideia de que o país não pode crescer pelas suas próprias forças, e sim por força exterior, necessitando da aprovação dos outros.
O país só recorreu à guerra para ganhar respeito, não por ambição de conquista.
Fomos um dos primeiros países que aboliram a pena de morte, na prática antes que na legislação.
"... não são as leis escritas, fabricadas pelos jurisconsultos, as mais legítimas garantias de felicidade para os povos e de estabilidade para as nações."
A sociedade foi mal formada no Brasil desde suas raízes.
No Brasil as constituições foram feitas para não serem cumpridas e as leis para serem violadas.
"A tese de uma humanidade má por natureza e de um combate de todos contra todos há de parecer-nos, ao contrário,
extremamente antipática e incômoda. E é aqui que o nosso 'homem cordial' encontraria uma possibilidade de articulação entre seus sentimentos e as construções dogmáticas da democracia liberal."
Dessa forma Sérgio Buarque de Holanda encerra seu livro, expondo a tendência diplomática brasileira de que somos cordiais e apaziguadores, que não significa que não nos posicionemos política, econômica e militarmente.
As nações ibéricas. "O que entre elas predomina é a concepção antiga de que o ócio importa mais que o negócio e de que a atividade produtora é, em si, menos valiosa que a contemplação e o amor".
O caçador/coletor (aventureiro) que é um dos personagens que fazem parte da construção cultural barsileira, juntamente com o lavrador (trabalhador). O ideal do aventureiro é "colher o fruto sem plantar a árvore". "Esse tipo humano ignora as fronteiras, no mundo tudo se apresenta a ele em generosa amplitude e, onde quer que se erija um obstáculo a seus propósitos ambiciosos, sabe transformar esses obstáculos em trampolim. Vive dos espaços ilimitados, dos projetos vastos,
dos horizontes distantes".
"O trabalhador, ao contrário, é aquele que enxerga primeiro a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar. O esforço lento, pouco compensador e persistente, que, no entanto, mede todas as possibilidades de esperdício e sabe tirar o máximo proveito do insignificante, tem sentido bem nítido para ele. Seu campo visual é naturalmente restrito. A parte maior do que o todo".
"...nem o aventureiro, nem o trabalhador possuem existência real fora do mundo das idéias".
"'Um português', comentava certo viajante em fins do século XVIII, 'pode fretar um navio para o Brasil com menos dificuldade do que lhe é preciso para ir a cavalo de Lisboa ao Porto'".
"Assim é que, em portaria de 6 de agosto de 1771, o vice-rei do Brasil mandou dar baixa do posto de capitão-mor a um índio, porque "se mostrara de tão baixos sentimentos que casou com uma preta, manchando o seu sangue com esta aliança, e tornando-se assim indigno de exercer o referido posto".
Os nossos índios, tinham dificuldades (insuperáveis) em aprender os idiomas nórdicos , ao passo que o português, como o castelhano, lhes era muito mais acessível. "Os pretos velhos, se dizia que não o aprendiam nunca.
"Desses calvinistas holandeses é impossível dizer-se, como se disse, por exemplo, dos puritanos da América do Norte, que, animados pela inspiração bíblica, se sentiam identificados com o povo de Israel a ponto de assimilarem os indivíduos de outra casta, de outro credo e de outra cor, estabelecidos na Nova Holanda, aos cananeus do Antigo Testamento que o Senhor entregará à raça eleita para serem destruídos e subjugados".
"...homem de bom entendimento e prudência, esse prelado notou que, quando mandava comprar um frangão, quatro ovos e um peixe para comer, nada lhe traziam, porque não se achavam dessas coisas na praça, nem no açougue, e que, quando as pedia às casas particulares, logo lhas mandavam. 'Então disse o bispo: verdadeiramente que nesta terra andam as coisas trocadas, porque toda ela não é república, sendo-o cada casa."
"...durante a grande época do café na província do Rio de Janeiro, não faltou lavrador que se vangloriasse de só ter de comprar ferro, sal, pólvora e chumbo, pois o mais davam de sobra suas próprias terras".
"... a própria palavra 'família', derivada de famulus, se acha estreitamente vinculada à ideia de escravidão, e em que mesmo os filhos são apenas os membros livres do vasto corpo, inteiramente subordinado ao patriarca, os liberi".
"... o pátrio poder é virtualmente ilimitado e poucos freios existem para sua tirania. Não são raros os casos como o de um Bernardo Vieira de Melo, que, suspeitando a nora de adultério, condena-a a morte em conselho de família e manda executar a sentença, sem que a justiça dê um único passo no sentido de impedir o homicído ou de castigar o culpado, a despeito de toda a publicidade que deu ao fato o próprio criminoso".
" A nostalgia dessa organização compacta, única e intransferível, onde prevalecem necessariamente as preferências fundadas em laços afetivos, não podia deixar de marcar nossa sociedade, nossa vida pública, todas as nossas atividades."
" O trabalho mental, que não suja as mãos e não fatiga o corpo, pode constituir, com efeito, ocupação em todos os sentidos digna de antigos senhores de escravos e dos seus herdeiros".
"Estereotipada por longos anos de vida rural, a mentalidade de casa-grande invadiu assim as cidades e conquistou todas as profissões, sem exclusão das mais humildes".
Cidade de Salvador no século XVI era uma cidade esquisita, de casas sem moradores, pois os proprietários passavam o mais tempo em suas roças rurais só vindo no tempo das festas.
A habitação em cidades é essencialmente antinatural, associa-se a manifestações do espírito e da vontade, na medida em que opõem à natureza.
"... a história não somente 'acontece', mas também pode ser dirigida e até fabricada".
A Universidade de São Marcos, em Lima. "... com os privilégios, isenções e limitações da de Salamanca, é fundada por cédula real de 1551, vinte anos apenas depois de iniciada a conquista do Peru por Francisco Pizarro".
"O padre Manuel da Nóbrega, em carta de 1552, exclamava: '... de quantos lá vieram, nenhum tem amor a esta terra...'".
"...a palavra 'desleixo' - palavra que o escritor Aubrey Bell considerou tão tipicamente portuguesa como 'saudade' e que, no seu entender, implica menos falta de energia do que uma íntima convicção de que 'não vale a pena'".
"... a guerra não se faz com invenções, senão com fortes corações".
"Não fez Deus o Céu em xadrez de estrelas...".
No Paraguai, todos se entendiam em guarani, e apenas os mais cultos sabiam o espanhol. Com estranhos só se falava espanhol.
"...'porque nem falar sabe', diz o bispo. E ajunta:'nem se diferença do mais barbaro Tapuia mais que em dizer que he Christão, e não obstante o haver se casado de pouco lhe assistem sete Indias concubinas, e daqui se pode inferir como procede no mais".
Em relação aos índios: "...em vão trabalha quem os quer fazer anjos antes de os fazer homens"
O autor diz que para conquistar um cliente no Brasil ou na Argentina, tem que começar fazendo dele um amigo.
Completa dizendo que as relações entre patrão e empregado costumam ser mais amistosas aqui do que em outra parte.
As relações entre os brasileiros se fundam no parentesco, na vizinhança e na amizade.
"Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição."
"E se bem considerarmos as teorias modernas, veremos que elas tendem, cada vez mais, a separar o indivíduo da comunidade
doméstica, a libertá-lo, por assim dizer, das 'virtudes' familiares."
"... 'a criança deve ser preparada para desobedecer nos pontos em que sejam falíveis as previsões dos pais.' Deve adquirir progressivamente a individualidade, 'único fundamento justo das relações familiares'. 'Os casos frequentes em que os jovens são dominados pelas mães e pais na escolha das roupas, dos brinquedos, dos interesses e atividades gerais, a ponto de se tornarem incompetentes, tanto social, como individualmente, quando não psicopatas, são demasiado frequentes para
serem ignorados.' E aconselha:'Não só os pais de ideias estreitas, mas especialmente os que são extremamente atilados e inteligentes, devem precaver-se contra essa atitude falsaas, pois esses pais realmente inteligentes são, de ordinário, os que mais se inclinam a exercer domínio sobre a criança. As boas mães causam, provavelmente, maiores estragos do que as más, na acepção mais generalizada e popular destes vocábulos'."
"... são os órfãos, os abandonados, que vencem a luta, sobem e governam."
"... a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade - daremos ao mundo o homem cordial."
"... a polidez é, de algum modo, organização de defesa ante a sociedade." "Equivale a um disfarce que permitirá a cada qual preservar intatas sua sensibilidade e suas emoções."
" Os que assistiram às festas do Senhor Bom Jesus de Pirapora, em São Paulo, conhecem a história do Cristo que desce do altar para sambar com o povo."
O horror às distâncias faz parte do espírito brasileiro.
"Não admira pois, que nossa República tenha sido feita pelos positivistas, ou agnósticos, e nossa Independência fosse obra de maçons."
No Brasil "ocupar cinco ou seis cargos ao mesmo tempo e não exercer nenhum é coisa nada rara."
"... mais de cem estudantes conseguiam colar grau na Universidade de Coimbra todos os anos, a fim de obterem empregos públicos, sem nunca terem estado em Coimbra."
"Os campeões das novas ideias esqueceram-se, com frequência, de que as formas de vida nem sempre são expressões do arbítrio pessoal, não se 'fazem'ou 'desfazem' por decreto.
"por ora a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração de elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava."
"Os melhores, os mais sensíveis, puseram-se a detestar francamente a vida, o 'cárcere da vida', para falar na linguagem do tempo."
"Tornando possível a criação de um mundo fora do mundo, o amor às letras não tardou em instituir um derivativo cômodo para o horror à nossa realidade cotidiana. Não reagiu contra ela, de uma reação sã e fecunda, não tratou de corrigi-la ou domina-la; esqueceu-a, simplesmente, ou detestou-a, provocando desencantos precoces e ilusões de maturidade. Machado de Assis foi a flor dessa planta de estufa."
"... os nossos homens de ideias eram, em geral, puros homens de palavras e livros; não saíam de si mesmos, de seus sonhos e imaginações."
A alfabetização sem outros elementos fundamentais da educação é como uma arma de fogo posta nas mãos de um cego.
O Brasil se envergonhava (e ainda se envergonha) de si mesmo, de sua realidade biológica. Espalhou-se a ideia de que o país não pode crescer pelas suas próprias forças, e sim por força exterior, necessitando da aprovação dos outros.
O país só recorreu à guerra para ganhar respeito, não por ambição de conquista.
Fomos um dos primeiros países que aboliram a pena de morte, na prática antes que na legislação.
"... não são as leis escritas, fabricadas pelos jurisconsultos, as mais legítimas garantias de felicidade para os povos e de estabilidade para as nações."
A sociedade foi mal formada no Brasil desde suas raízes.
No Brasil as constituições foram feitas para não serem cumpridas e as leis para serem violadas.
"A tese de uma humanidade má por natureza e de um combate de todos contra todos há de parecer-nos, ao contrário,
extremamente antipática e incômoda. E é aqui que o nosso 'homem cordial' encontraria uma possibilidade de articulação entre seus sentimentos e as construções dogmáticas da democracia liberal."
Dessa forma Sérgio Buarque de Holanda encerra seu livro, expondo a tendência diplomática brasileira de que somos cordiais e apaziguadores, que não significa que não nos posicionemos política, econômica e militarmente.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
A lição de Bukowski
Bukowski em sua obra "Mulheres" revela histórias verdadeiras de sua vida. Apesar do foco ser as mulheres que fizeram parte de sua vida, ele mostra muito da vida boêmia de Los Angeles dos anos 1970.
Ele era alcoolatra e gostava de fazer uso de outras drogas, era fumante e depravado. Gostava de apostar em cavalos e assistir lutas de boxe. E mesmo nas situaçãoes mais deprimentes, nunca perdia seu bom-humor. Não era o maior poeta de seu tempo, mas vivia de seus escritos e era reconhecido por seu estilo de escrita. Muitas mulheres queriam chocá-lo para fazerem parte de seu rol de mulheres, aquelas que marcaram sua vida e que iam parar em seus livros. Foi casado, mas
separou-se, tinha problemas em manter relacionamentos. Suas brigas eram intensas, sempre acompanhadas com atitudes enérgicas e radicais.
Bukowski era um típico sarjeta, vivia no fundo do posso, convivia com prostitutas, malandros, drogados, quase sempre bêbado, causando transtornos por onde passava. Era um crítico ferrenho das pessoas.
Apesar de alguns momentos de tristeza, onde melancólicamente ele reflete e até mesmo se culpa por seu destino, ele tinha no peito um coração bom, honesto. Dá pra sentir em suas palavras, uma certa esperança na humanidade, na aceitação da verdadeira natureza do ser-humano.
É possível alguém fazer do inferno um paraíso? Bukowski veio para ajudar a responder essa pergunta. A naturalidade que ele tratava as situações e as "loucuras" humanas é respeitável. Ele não queria provar nada a ninguém e gostava de conviver com pessoas que pensavam o mesmo. Um dos importantes recados que esse notável escritor deixou, foi que o mais importante é a pessoa se aceitar como ela é, e ser feliz do jeito dela, sendo honesta e não iludindo ninguém. Mais vale ser um safado feliz que um moralista infeliz.
Ele era alcoolatra e gostava de fazer uso de outras drogas, era fumante e depravado. Gostava de apostar em cavalos e assistir lutas de boxe. E mesmo nas situaçãoes mais deprimentes, nunca perdia seu bom-humor. Não era o maior poeta de seu tempo, mas vivia de seus escritos e era reconhecido por seu estilo de escrita. Muitas mulheres queriam chocá-lo para fazerem parte de seu rol de mulheres, aquelas que marcaram sua vida e que iam parar em seus livros. Foi casado, mas
separou-se, tinha problemas em manter relacionamentos. Suas brigas eram intensas, sempre acompanhadas com atitudes enérgicas e radicais.
Bukowski era um típico sarjeta, vivia no fundo do posso, convivia com prostitutas, malandros, drogados, quase sempre bêbado, causando transtornos por onde passava. Era um crítico ferrenho das pessoas.
Apesar de alguns momentos de tristeza, onde melancólicamente ele reflete e até mesmo se culpa por seu destino, ele tinha no peito um coração bom, honesto. Dá pra sentir em suas palavras, uma certa esperança na humanidade, na aceitação da verdadeira natureza do ser-humano.
É possível alguém fazer do inferno um paraíso? Bukowski veio para ajudar a responder essa pergunta. A naturalidade que ele tratava as situações e as "loucuras" humanas é respeitável. Ele não queria provar nada a ninguém e gostava de conviver com pessoas que pensavam o mesmo. Um dos importantes recados que esse notável escritor deixou, foi que o mais importante é a pessoa se aceitar como ela é, e ser feliz do jeito dela, sendo honesta e não iludindo ninguém. Mais vale ser um safado feliz que um moralista infeliz.
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